Arca de Zoé: crianças começaram hoje a ser restituídas aos seus familiares

14.03.2008 - 11:49 Por AFP
As autoridades do Chade e a Unicef começaram hoje oficialmente a restituir às suas famílias as 103 crianças que a associação Arca de Zoé tentou levar para França, em Outubro passado, avança a AFP.
Após uma cerimónia no orfanato de Abeche (no leste do país), onde residiam as crianças antes de serem levadas por seis membros da Arca de Zoé, no passado dia 25 de Outubro, 83 meninos e meninas embarcaram em dois autocarros com destino a Adre, 150 quilómetros a leste de Abeche, onde eram esperados pelas suas famílias.
As restantes crianças serão encaminhadas nos próximos dias para as localidades de Tine-Tchad e Biltine, respectivamente a 250 quilómetros a nordeste e 75 quilómetros a norte de Abeche.
Cinco crianças originárias do Sudão e uma ainda não identificada serão temporariamente confiadas ao Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICR).
"A Unicef responsabiliza-se pelo acompanhamento a essas crianças no seio das respectivas famílias", declarou durante a cerimónia a representante no Chade do Fundo das Nações Unidas para a Infância, pedindo a outros parceiros que também apoiem as crianças.
Diante dos 81 rapazes e 22 raparigas, de idades compreendidas entre um e onze anos, instalados num hangar e munidos de sacos com as suas roupas, a ministra do Chade da Acção Social Ngarmbatina Carmel Sou IV resumiu os ensinamentos que tirou deste caso polémico. "Abusou-se [da confiança] dos pais, com falsas promessas", acusou. "Para o governo do Chade esta é uma ocasião para perceber quantas crianças são abandonadas sem escolaridade".
Durante o julgamento dos seis membros da Arca de Zoé acusados do rapto das crianças, os pais culparam a organização de terem prometido escolarizar e cuidar dos seus filhos no leste do Chade, quando na realidade a intenção era levar as crianças para França, onde as esperariam famílias de acolhimento.
Os seis membros da associação, condenados no dia 26 de Dezembro por tentativa de rapto, foram sentenciados a uma pena de oito anos de prisão em França, para onde foram transferidos após o fim do julgamento.
Os seis franceses foram igualmente condenadas a pagar às famílias um total de 6,3 milhões de euros de indemnizações, que ainda não foram entregues.


