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Comissão eleitoral acusada de fraude

Árabes sunitas ameaçam começar “guerra tribal” por causa das eleições provinciais no Iraque

02.02.2009 - 17:26 Por Sofia Lorena

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Sábado foi um dos dias mais tranquilos no Iraque desde a invasão norte-americana e o derrube de Saddam Hussein, mas já se sabia que os riscos de as eleições provinciais provocarem tensões e novas escaladas de violência não se esgotavam na votação. Os xeques tribais árabes sunitas que se aliaram aos Estados Unidos para expulsar a Al-Qaeda ameaçaram hoje pegar em armas porque acreditam que houve fraude na província de Anbar, a ocidente de Bagdad.

Anbar, durante anos bastião da insurreição contra as forças norte-americanas, é uma das províncias onde estas eleições criam mais expectativas. De esmagadora maioria sunita, aqui quase ninguém votou em 2005, quando esta comunidade boicotou o voto. Desta vez votaram 40 por cento dos eleitores.

Ainda não há resultados oficiais, mas o Partido Islâmico, sunita religioso, única formação sunita que foi a votos há quatro anos, reivindicou já a vitória. E os nacionalistas das tribos que os EUA armaram e a quem pagaram para combater a Al-Qaeda não acreditam.

“Estamos convencidos de que vamos chegar à frente em Anbar e vamos coligar-nos com quem queira trabalhar connosco”, disse Khalid Mohammed al-Alwani, chefe do Partido Islâmico em Falluja, a cidade que foi palco das mais ferozes batalhas entre as forças americanas e grupos de insurrectos, em 2004 e 2005.

“Ameaçámos a comissão eleitoral para que não permitisse a fraude. Dizemos que vamos deixar de ser uma entidade política e transformar-nos num braço armado contra a comissão e o Partido Islâmico porque descobrimos fraude”, disse à agência Reuters o líder destes grupos tribais (conhecidos por Despertar), xeque Ahmed Abu Risha. Hamid al-Hais, chefe da lista Tribos de Anbar, viajou até Bagdad para apresentar um protesto. “Vamos começar uma guerra tribal contra eles [Partido Islâmico] e contra quem cooperar com eles”, afirmou Hais.

A comissão eleitoral informou domingo que muitas pessoas quiseram votar e não encontraram o seu nome dos cadernos eleitorais, provavelmente porque mudaram de casa entretanto e não informaram disso as autoridades. Mas garante que a eleição decorrer sem violações graves das regras.

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