Apesar de abalada, a Al-Qaeda continua a ser uma ameaça

02.05.2011 - 10:41 Por Alexandra Prado Coelho
O Departamento de Estado norte-americano colocou ontem em alerta as embaixadas dos Estados Unidos no mundo e avisou que a morte de Osama bin Laden faz aumentar os riscos de violência contra alvos norte-americanos. Também a Interpol alertou os seus países membros para “um risco terrorista mais elevado da parte da Al-Qaeda ou de terroristas inspirados pela Al-Qaeda”. E o Reino Unido seguiu o exemplo dos EUA dando ordem às suas embaixadas para reforçar as medidas de segurança.
Nos fóruns jihadistas na Internet o ambiente era de fúria e indignação. “A América não conhecerá a segurança enquanto nós não a conhecermos na Palestina”, escrevia um participante no fórum Shumukh al-islam, citado pela AFP. Outro, reagindo às imagens de pessoas a festejar a notícia da morte de Bin Laden em Washington e Nova Iorque, avisava: “Celebrem a notícia à vontade, infiéis. Terão pouco tempo para o fazer. Em breve serão confrontados com outra realidade.”
Os analistas são unânimes em considerar essencial que se mantenham os níveis de alerte e se reforce a segurança de potenciais alvos, e vários admitem como certa uma retaliação da Al-Qaeda. “Há a preocupação de que exista algum tipo de retaliação, a Al-Qaeda vai certamente querer mostrar que continua forte e que não saiu de jogo”, diz John Gearson, director do Center for Defense Studies do King’s College de Londres, citado pelo "The Independent". “O perigo é o de que os americanos descontraiam e isso dê uma oportunidade para o que resta da Al-Qaeda se reestruturar e se consolidar”, alerta.
Outros especialistas em terrorismo citados pelo "Washington Post" consideram que a organização criada por Bin Laden permanece uma ameaça “difusa mas persistente” e que continuará a representar o principal risco de segurança para os EUA. A Al-Qaeda não é hoje uma organização centralizada, encontra-se espalhada por vários países – nomeadamente no Iémen (que, sublinha o "Washington Post", constitui a mais imediata ameaça aos interesses americanos), e na Somália. Um dos líderes da “filial” da Al-Qaeda no Iémen é Anwar al-Aulaqi, que, admitem alguns analistas, poderá tentar reivindicar, pelo menos em parte, a herança de Bin Laden, apresentando-se como o inimigo número 1 dos EUA e do Ocidente.
Osama Bin Laden, afirmam ainda os peritos, já não era um líder operacional, com intervenção directa nas operações no terreno, mas permanecia uma figura simbólica de enorme importância.


