Apelo de Hugo Chávez às FARC para que acabem com a luta armada surpreende a Colômbia

09.06.2008 - 18:45
O apelo lançado ontem por Hugo Chávez, Presidente venezuelano, às FARC, a guerrilha armada marxista colombiana, para que parem com a luta armada e entreguem todos os reféns, surpreendeu Bogotá, com quem Chávez tem uma relação difícil há muito.
O Governo colombiano, que recusou no ano passado a mediação de Chávez no diálogo com as FARC já se mostrou satisfeito com o discurso do líder venezuelano, endurecido, que exige agora a libertação de todos os reféns sem contrapartidas, tal como Álvaro Uribe, o Presidente colombiano reclama.
“Isto pode significar a reaproximação dos dois povos”, disse, em entrevista ao jornal “El Tiempo”, o ministro da Defesa colombiana, Juan Manuel Santos.
Em resposta, um alto representante das FARC acusou hoje Álvaro Uribe de terrorista, acusação que o Presidente colombiano faz aos guerrilheiros. E acusa Uribe de ter tentado matar Chávez e o presidente equatoriano Rafael Correa.
“O verdadeiro terrorista é Álvaro Uribe, ele já tentou e continua a tentar matar o Presidente Hugo Chávez”, disse Ivan Marquez, um membro da direcção das FARC citado pela agência da Bolívia, a ABP.
As FARC detém 39 reféns que desejam trocar pela libertação de 500 guerrilheiros presos. A refém mais mediática é a franco-colombiana, ex-candidata presidencial e deputada Ingrid Betancourt, raptada em Fevereiro de 2002.
Depois da morte do número dois das FARC, Raul Reyes, a um de Março, documentos encontrados no seu computador revelaram, segundo alguns jornais, cartas comprometedoras para a senadora colombiana de esquerda, Piedad Córdoba, segundo as quais esta teria recomendado às FARC para não libertarem Ingrid, algo que foi categoricamente desmentido pela senadora que afirma tratar-se de documentos falsos.

