António Guterres afirmou estar “muito sensibilizado” com a confiança manifestada pelo secretário-geral da ONU que o escolheu para chefiar o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados – um cargo que definiu como “uma missão de serviço público”.
“Só desejo ter capacidade para poder dar o meu contributo, juntamente com uma organização onde há muita gente com capacidade e experiência”, afirmou o antigo primeiro-ministro português, à chegada a Lisboa, após uma deslocação como presidente da Internacional Socialista à Cisjordânia, onde recebeu a notícia da nomeação.
Recordando os “milhões de pessoas que vivem situações extremamente gravosas”, Guterres definiu como prioridade do seu mandato no ACNUR a garantia de protecção e ajuda efectiva às populações obrigadas a abandonar as suas casas e os seus países devido à guerra, à fome ou a catástrofes naturais.
Para que tal seja possível, o novo alto comissário afirma que “os países mais desenvolvidos devem perceber que têm a responsabilidade de contribuir para essa protecção” e sublinha que os países em vias de desenvolvimento devem ser auxiliados para enfrentar as vagas de refugiados – “infelizmente este é cada vez mais um problema do Sul no Sul”.
Da mesma forma, Guterres promete fomentar a colaboração com os governos mundiais, com as outras agências da ONU e com todas as organizações não-governamentais que trabalham na ajuda ao desenvolvimento para garantir “assistência efectiva aos refugiados” e a criação de “soluções duradouras” que permitam o regresso aos seus países de origem ou a fixação nos países de acolhimento.
Na sua primeira intervenção à chegada a Lisboa, Guterres fez questão de agradecer o apoio à sua candidatura que foi manifestado quer pelas autoridades e da diplomacia portuguesas quer por "todos os países amigos”.
O ex-primeiro-ministro manifestou ainda “muito respeito” pelos restantes sete candidatos ao cargo, sublinhando que todos apresentavam “vidas políticas e de intervenção nos domínios humanitários do maior relevo”.
Guterres, que deverá iniciar o mandato de três anos para que foi designado no próximo dia 15 de Junho, afirmou que os “últimos dias foram muitos emotivos” e destacou o facto de ter recebido o telefonema de Kofi Annan na Muqata, o quartel-general da Autoridade Palestiniana, “o sítio Yasser Arafat viveu os seus últimos anos em regime de quase prisão e onde hoje trabalha Abu Mazen [Mahmoud Abbas], um homem que é um exemplo de luta pela paz que deve merecer a admiração de todos”.



