António Guterres assume hoje o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), poucos dias antes de se comemorar o Dia Mundial do Refugiado, e com uma prioridade definida: responder à situação no Sudão.
Nomeado no dia 24 de Maio para um mandato de cinco anos, António Guterres toma posse, em Genebra, como responsável máximo daquela que tem sido a organização internacional que mais conflitos mundiais acompanhou ao longo das últimas décadas.
O indigitado alto comissário já afirmou que a sua prioridade é responder à situação no Sudão e advertiu que o orçamento da organização será sempre insuficiente, "por maior que seja a generosidade" da comunidade internacional.
No Dia Mundial dos Refugiados deste ano - que se comemora a 20 de Junho - a organização quer recordar que todos os que fugiram a conflitos necessitaram de "reservas imensas de coragem", tanto para enfrentar a fuga inicial como para aguentar o exílio e as más condições de quem perdeu casa ou país.
O tema central do dia mundial deste ano traduz, em parte, o que tem sido, ao longo do último meio século, o trabalho da organização sedeada em Genebra e de que António Guterres será o 10º alto comissário.
Criada no dia 14 de Dezembro de 1950, o alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados é uma das mais poderosas e bem financiadas agências especializadas da ONU, tendo auxiliado já mais de 50 milhões de pessoas, afectadas por conflitos humanos e desastres naturais, a recomeçar as suas vidas.
Para além de gerir um orçamento anual de quase mil milhões de dólares e os cerca de seis mil funcionários da organização, espalhados por 116 países, o ex-primeiro-ministro português terá que gerir vastos programas de auxílio e protecção, numa altura em que populações deslocadas e refugiados continuam espalhadas por todo o planeta.
Segundo dados recentes, cerca de 368 mil pessoas solicitaram asilo a 38 países na Europa, América do Norte e Ásia em 2004.



