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Presidente do grupo parlamentar quer "visão global"

Angola: UNITA diz que é "imperioso" envolver sociedade civil na questão de Cabinda

29.07.2006 - 11:15 Por Adelino Gomes, Isabel Marisa Serafim/Agência Lusa

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O objectivo é pôr fim ao conflito em torno do enclave O objectivo é pôr fim ao conflito em torno do enclave (DR (arquivo))
O presidente do grupo parlamentar da UNITA, Alcides Sakala, considerou hoje "imperioso" o envolvimento dos vários segmentos da sociedade civil de Cabinda nas negociações para acabar com o conflito no enclave.

"Encorajamos as iniciativas para resolver o problema de Cabinda, mas continuamos a insistir que é imperioso que outros segmentos da sociedade civil sejam incluídos neste processo negocial, para que se tenha uma visão global e se encontre uma solução definitiva para o problema", afirmou Sakala, em declarações à Agência Lusa, durante uma escala em Lisboa.

"Entendemos que enquanto Cabinda estiver em guerra, Angola não está em paz, porque Cabinda é parte integrante de Angola", salientou.

"A UNITA ofereceu o seu «know-how» sobre mediação de conflitos e no caso do Governo angolano e da outra parte acharem que o nosso contributo é importante" estamos dispostos a participar na procura de uma solução para o problema de Cabinda, disse Sakala.

O Governo de Angola e o Fórum Cabindês para o Diálogo assinam terça-feira em Namibe um Memorando de Entendimento, que visa o alcançar a paz naquela região.

O processo negocial perdeu, contudo, alguma credibilidade quando a Igreja Católica e a Mpalabanda - Associação Cívica de Cabinda se desmarcaram dos compromissos assumidos pelo presidente do FCD, António Bento Bembe, destituído de funções pelo líder da Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC), N' Zita Tiago, por alegadamente ter sido "comprado" pelo Governo angolano.

As dúvidas em relação a Bento Bembe por parte da FLEC surgiram devido ao seu desaparecimento da Holanda, depois de ter sido detido pelas autoridades holandesas devido a um pedido de extradição dos Estados Unidos por sequestro de um funcionário norte- americano em Cabinda.

Questionado sobre a posição dos Estados Unidos, que felicitaram um acordo assinado por Bento Bembe, indivíduo que querem julgar, Sakala afirmou que é exactamente toda esta "complexidade que faz com que a UNITA" defenda um "processo de paz mais abrangente".

"Naturalmente o Governo angolano terá os seus canais de contacto e a aproximação que achará mais adequadas, mas nós pensamos que nesta fase inicial terá de incluir outros sectores interessados na procura de uma solução definitiva para a paz em Cabinda", referiu.

Alcides Sakala falou com a Lusa depois de uma viagem de uma semana a Washington, a convite do Congresso norte-americano, para falar sobre o processo eleitoral no país, com eleições gerais ainda previstas para 2007, Cabinda e a reintegração social dos militares desmobilizados pela UNITA.

Questionado sobre se seis meses chegam para fazer o recenseamento da população, Sakala afirmou que "tudo passa pela vontade política. As eleições estão a ser constantemente adiadas e o Governo perde credibilidade".

"Se se anunciam datas e não se realizam eleições, o executivo passa a ideia de que o sistema político angolano está a bloquear o processo para o aprofundamento da democracia", disse, salientando a importância de definir um calendário eleitoral.

"Ganhe quem ganhar, o importante é começar uma nova era e as eleições vão permitir o aprofundamento da democracia no país", referiu, acrescentando ter manifestado em Washington a vontade "férrea e firme" da UNITA de contribuir para a estabilidade e consolidação da paz em Angola.

"Também temos a ideia que o Governo de Angola quer condicionar as eleições ao processo de reconstrução do país", afirmou, mas "as eleições virão apenas reforçar a reconstrução do país, a boa governação e a transparência".

"Mas o importante, ganhe quem ganhar, é iniciarmos um novo processo na vida das instituições do nosso país, porque só assim é que o país pode estabilizar", adiantou.

Para Alcides Sakala a estabilidade no país passa também pela integração social condigna dos antigos militares da UNITA.

"É uma prioridade entregar cartões de identidade e pensões de reforma, porque a integração social condigna destes homens é fundamental para a estabilidade do país", disse.

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