O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, fez um ataque feroz à corrupção no seio do Governo do país avisando que detecta “timidez” no MPLA no que toca à fiscalização dos actos governativos, que “irresponsáveis” e “gente de má-fé” estão a aproveitar, avançava a agência Lusa.
“O melhor é comprometermo-nos a uma espécie de tolerância zero [à corrupção] depois do 6º congresso [do partido, marcado para o próximo mês]”, alertou no discurso de abertura, ontem, da 15ª sessão do comité central do MPLA.
Partido maioritário e em cujas mãos está o Governo, o MPLA está a ser “tímido” ao fiscalizar as acções do Executivo tanto na Assembleia Nacional quer através do Tribunal de Contas, avaliou o Presidente – há 30 anos no poder. “Esta circunstância foi aproveitada por pessoas irresponsáveis e por gente de má-fé, que esbanja recursos e pratica actos de gestão ilícitos e mesmo danosos e fraudulentos”, afirmou, avaliando que as riquezas petrolíferas do país estão a ser delapidadas em fraudes e desperdícios dos fundos públicos.
Exigindo maior transparência, Eduardo dos Santos insistiu que a “boa governação requer muito mais trabalho”. “Penso que devemos assumir uma atitude crítica e autocrítica em relação à condução da política do partido neste domínio”, prosseguiu.
Angola foi elencada como um dos países mais corruptos do mundo pela organização não governamental Transparency International, em relatório anual divulgado na semana passada. Maior exportador petrolífero da África e a gozar de um muito significativo investimento da China – que ajudou a economia do país a ter uma extraordinária recuperação depois de décadas de guerra civil – Angola tem, porém, uma população a viver com menos de dois dólares por dia, segundo dados do Banco Mundial.
Os grupos de defesa dos direitos humanos apontam frequentemente falhas ao próprio chefe de Estado – tido como um dos mais ricos homens do país – desafiando-o a dar o exemplo. Eduardo dos Santos sempre desvalorizou estas críticas alegando que o seu comportamento é impoluto.
No discurso de ontem, avançou também que as próximas eleições presidenciais – que chegaram estar agendadas para 2009 – só se devem realizar ao mesmo tempo que as legislativas, estimadas para 2012. Justificou-o com a razão de “poupar tempo e dinheiro”.
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