A União Europeia não financiará a Autoridade Palestiniana sob o Governo do Hamas, se o movimento radical islâmico insistir em não reconhecer Israel e continuar com a violência, afirmou hoje a chanceler alemã, Angela Merkel, após uma reunião com o primeiro-ministro interino israelita, Ehud Olmert, em Jerusalém.
O Hamas venceu as legislativas palestinianas, conseguindo 74 dos 132 assentos parlamentares, à frente da Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmmud Abbas, que irá ocupar 45 lugares.
A vitória do Hamas nas legislativas palestinianas lançou uma nova sombra sobre o processo de paz no Médio Oriente, já que o movimento, agora no poder, não reconhece a existência do Estado de Israel e garante que não irá renunciar à luta armada. Em resposta, Israel garantiu que não irá negociar “com um Governo terrorista”.
Perante a intransigência do Hamas, Merkel afirma que será impossível que a futura Autoridade Palestiniana “seja financiada directamente com o dinheiro da União Europeia”. A União é o maior financiador da Autoridade Palestiniana, providenciando-lhe ajuda indispensável para o seu funcionamento.
Como chanceler alemã, Merkel sublinhou ainda que o seu país irá analisar o comportamento do Hamas e apenas aceitará manter relações diplomáticas com um Governo liderado pelo movimento se este reconhecer Israel como um Estado.
"Irão passou dos limites"
Merkel falou ainda da questão do Irão, considerando que o Governo de Teerão constituirá uma ameaça para o mundo se insistir em dotar-se de armas nucleares. “Falámos da situação no Irão e na ameaça que incorre Israel se o Irão se dotar de armas”, disse Merkel, após o encontro com o Ehud Olmert. A chanceler alemã deverá reunir-se amanhã com o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmmud Abbas.
Mas a responsável advertiu que não é só Israel a correr perigo “mas todo o mundo democrático”, criticando as declarações do Presidente iraniano, Mahmmud Ahmadinejad, que qualificou Israel como um “tumor” que deve “ser riscado do mapa”. “As declarações do Presidente iraniano são inaceitáveis para a Alemanha. Não podemos aceitá-las”, frisou, rematando que as “democracias do mundo” têm uma “missão comum que é explicar ao Irão que ultrapassou os limites e que isso não será aceite”.


