Angela Merkel muito próxima de ser a futura chanceler alemã 
18.09.2005 - 07:44 Por Helena Ferro de Gouveia, PÚBLICO, Berlim
A partir das 08h00 de hoje, 61,9 milhões de alemães determinarão a cor política do futuro Governo da maior economia da zona euro. A Alemanha estará de respiração suspensa até às 18 horas, altura em que encerram as urnas e serão divulgados os primeiros prognósticos, uma vez que na sexta-feira ainda havia dez milhões de eleitores indecisos. Embora a candidata democrata-cristã, Angela Merkel, tenha praticamente assegurada a vitória, tornando-se na primeira mulher a ser chanceler da Alemanha, isso não significa que possa vir a governar com o seu aliado tradicional o FDP.
Dois institutos de sondagens publicaram na sexta-feira as últimas previsões. Numa delas, do instituto Allesbach, uma coligação entre a CDU/CSU e o FDP obteria uma maioria tangencial, 49,5 por cento, mas suficiente para obter a maioria no Bundestag (48,5 por cento), o outro inquérito do instituto Forsa dava à direita entre 48 a 51 por cento das intenções de voto. "Os indecisos são tão numerosos que ainda pode haver uma viragem de última hora", afirma Manfred Guellner do Instituto Forsa. O SPD do chanceler Gerhard Schroeder é creditado com 32 a 34 por cento das intenções de voto e o Verdes reúnem entre 6 a 7 por cento.
Até a agora tanto sociais-democratas como ambientalistas tem afastado a hipótese de cooperação com o Partido de Esquerda, a grande novidade destas eleições, que regista entre 7 a 8 por cento das intenções de voto. Se as sondagens se relevarem próximas da realidade, Gerhard Schroeder terá de arrumar a secretária no sétimo andar da Chancelaria Federal e despedir-se da vista privilegiada sobre Berlim. E a Alemanha despedir-se-à da geração de 68 cuja passagem pelo poder "foi um verdadeiro curso de pragmatismo" na expressão do sociólogo Heinz Bude.
Campanha até ao último minuto
"Os políticos exageram sempre. No domingo não se trata de Guerra e Paz. Mas os alemães terão de escolher um destino, uma direcção em questões fundamentais como a renovação do sistema de protecção social, de pensões, do sistema de saúde", explicou ao PÚBLICO Marco Bertolaso, chefe-redactor da Deutschland Funk. Na perspectiva deste analista "caso a CDU/CSU e o FDP vençam irão implementar soluções mais radicais", as mais necessárias para a Alemanha.
"Mais Alemanha, menos Estado", era a manchete de ontem do Die Welt". O diário apelava aos cidadãos para que conferissem um mandato sem margens para dúvidas a uma coligação democrata-cristã e liberal. "Neste fim-de-semana não existe uma alternativa sensata a um claro mandato negro-amarelo [as cores da CDU e do FPD] sob a liderança de Angela Merkel". Para este jornal "aquilo" que se move à esquerda, uma alusão ao Partido de Esquerda "não é um projecto político com futuro mas uma miscelânea de negação da realidade e de populismo". O cenário de "grande-coligação" também "não é um caminho para a Alemanha" porque "institucionalizaria a paralisia e, pior, desembaraçaria o Governo de qualquer responsabilidade".
"Uma "grande-coligação" entre a CDU e o SPD não é realista" afirmou ontem Angela Merkel, em Bona no comício de encerramento da campanha. "O fracasso do Governo "vermelho-verde" tem um nome: SPD", lançou Merkel, em direcção aos cerca de cinco mil simpatizantes reunidos perto da catedral, apelando para que "votem de forma responsável".
Também na Renânia do Norte Vestefália, o mais populoso dos estados-federados alemães, na cidade de Recklingshausen, Gerhard Schroeder atacou os projectos da direita. "Os outros [a CDU] querem retirar direitos aos cidadãos", numa referência aos planos da CDU/CSU e do FPD relativos às alterações à lei de protecção contra o despedimento e às convenções salariais. Outros temas abordados por Schroeder no derradeiro comício onde estiveram cerca 10 mil pessoas, foram o "professor de Heildelberg" e a política externa. Neste campo o chanceler disse "questionar-se se a CDU será capaz de resistir às pressões de parceiros poderosos" no tocante à participação de tropas alemãs para missões de guerra (leia-se Iraque).
Graças a uma campanha curta e intensa e a tudo a que está em jogo neste sufrágio os alemães deverão participar massivamente nas eleições estando prevista uma taxa de participação superior aos 82, 2 por cento de 1998, ano em que Schroeder chegou ao poder.
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