Angela Merkel diz que situação no Zimbabwe mancha imagem da nova África

08.12.2007 - 17:10 Por Lusa, Reuters
A chanceler alemã, Angela Merkel, denunciou hoje a violação dos direitos humanos no Ziombabwe, considerando que o regime do Presidente Robert Mugabe “mancha a imagem da nova África”.
"Nada pode justificar a intimidação das pessoas que pensam de maneira diferente e os ataques à liberdade de imprensa” no Zimbabwe, afirmou a dirigente alemã na primeira sessão plenária da Cimeira UE/África, onde se encontrava presente Robert Mugabe.
Apesar da sessão decorrer à porta fechada, o discurso de Merkel foi depois distribuído aos jornalistas e confirma as expectativas dos que acreditavam que viria da Alemanha o tom mais crítico em relação à situação dos direitos humanos em África.
A chanceler alemã, que abordou o tema "Boa Governação e Direitos Humanos", salientou que a situação no Zimbabwe "diz respeito a todos, tanto na Europa como em África”. “Saúdo o que alguns países africanos têm tentado fazer para resolver a crise no Zimbabwe, mas o tempo está esgotar-se”, afirmou, antes de acrescentar: “Esta situação mancha a imagem da nova África”.
“A UE está sempre ao lado do povo zimbabueano”, garantiu, apelando aos dirigentes dos dois continentes para trabalharem juntos para promover a democracia e os direitos humanos no país.
Além da situação no Zimbabwe, Angela Merkel condenou ainda a violação dos direitos humanos na Bielorrússia, Sudão e Birmânia. “Não podemos olhar para o lado quando os direitos humanos são pisados seja onde for”, pois as violações, disse, “não conhecem fronteiras entre continentes” e acabam por ter consequências a nível mundial, ao favorecer, por exemplo os fluxos migratórios.
Referindo-se à parceria conjunta euro-africana, que vai ser adoptada durante a cimeira de Lisboa, a chanceler alemã considerou que os direitos humanos e boa governação devem ser parte “imprescindíveis” do novo relacionamento entre os dois continentes.
"Direitos humanos e boa governação são fundamentais para o sucesso económico e para o desenvolvimento. Isto é o mais importante tanto na Europa como em África", concluiu.

