Atacantes continuam a inovar

Análise: Riscos para a segurança nos voos permanecem elevados

26.12.2009 - 17:12

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Estarão as viagens aéreas mais imunes aos ataques terroristas, três anos depois de um grupo de homens ter tentado explodir aviões transatlânticos com recurso a líquidos explosivos? Para muitos analistas o risco parece ter mudado pouco: a indústria aumentou a segurança, mas os atacantes continuam a inovar e os sistemas de transportes continuam a ser um alvo predilecto.

Alguns têm uma visão mais pessimista, argumentando que o aumento da segurança depois de 2006 tem produzido filas maiores nos postos de controlo, o que oferece aos atacantes um alvo em terra ainda maior. Outros queixam-se de que as melhorias potenciais da segurança foram prejudicadas pela escassez de verbas.

“Sim, estamos mais seguros, porque esta conjura trouxe os explosivos líquidos à atenção dos reguladores e levou a novos regulamentos”, disse Omer Laviv, da Athena GS3, de Israel, que trabalha com empresas europeias em contra-terrorismo na aviação. “Mas quantas outras conjuras existem de que os reguladores poderão não se aperceber?”

Três britânicos foram em Setembro considerados culpados de terem planeado matar milhares de pessoas fazendo explodir aviões com destino à América do Norte em ataques suicidas em pleno voo, com bombas feitas de explosivos líquidos. A suspeita conjura da Al-Qaeda, que estava a poucos dias de se concretizar, segundo detectives britânicos, teve ramificações mundiais que levaram a grandes restrições à quantidade de líquidos que os passageiros podem levar para dentro dos aviões. Foi uma recordação de que a Al-Qaeda prepara os ataques não só para chocar e causar terror mas também para matar grande número de pessoas, como aconteceu no 11 de Setembro de 2001, quando morreram 2992 pessoas.

“Continuamos em risco”, disse o analista de segurança e aviação Chris Yates, notando que ainda não existe um sistema instalado largamente nos aeroportos internacionais para detectar os explosivos em forma líquida, se bem que algumas tecnologias estejam a ser experimentadas. Nem existe uma tecnologia devidamente implementada para proteger de um bombista com explosivos escondidos numa cavidade do corpo - uma técnica que a Al-Qaeda utilizou ainda o mês passado na Arábia Saudita.

Naquele caso, dia 27 de Agosto, um bombista suicida fez-se explodir no gabinete em Jidá do chefe da segurança do Reino, príncipe Moahmmed bin Nayef. O príncipe não ficou gravemente ferido. Mas o ataque revelou que a Al-Qaeda continuava inventiva: os media oficiais disseram que os explosivos estavam no corpo do bombista. O jornal “Alriyadh” disse que se encontravam na sua cavidade anal. Scott Stewart, da empresa de serviços secretos Stratfor, afirmou que tal técnica teria “um resultado catastrófico se fosse utilizada num avião, especialmente se os explosivos fossem retirados do corpo de bombista e colocados num local estratégico do avião”.

Outras novidades desde 2006 incluem os pistoleiros suicidas que atacaram hotéis e outros alvos asiáticos com armas automáticas e granadas de mão, incluindo os ataques que em Bombaim mataram 166 pessoas.

“Os terroristas vão inovar para enganar a segurança dos aeroportos”, declarou David Claridge, da empresa de consultadoria Janusian, que sublinhou a falta de padrões comuns às autoridades de aviação de todo o mundo. A Associação Internacional de Transportes Aéreos (IATA), que representa 230 companhias, diz que a segurança da aviação aumentou desde o 11 de Setembro, mas também nota que a falta de padrões globais “criou uma confusão descoordenada”.

Chris Yates disse que as medidas entretanto tomadas não deixaram os passageiros muito mais seguros. “Estamos ainda vulneráveis a muitos níveis, seja por algo levado para a cabina dos passageiros que não possamos detectar num aeroporto ou por algo que seja metido no porão”, acrescentou.

A segurança continua a impor grandes despesas no sector da aviação, que depende de um contínuo fluxo de passageiros e de carga para dar lucros. A IATA afirma que as empresas e os passageiros pagam anualmente 5.900 milhões de dólares (4100 milhões de euros) para garantir a segurança.

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social engineering

São artigos como este que mostram o papel criminoso dos media nisto tudo.

Anónimo

26.12.2009 18:48

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