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Mudou alguma coisa, para que tudo possa ficar mais ou menos na mesma

Análise: Em Bruxelas está tudo tranquilo

20.11.2009 - 08:05 Por Teresa de Sousa

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Podia ser o "número de telefone" da União Europeia e a sua face emblemática perante o mundo. Ninguém acredita que alguma vez o Presidente Obama tenha necessidade de telefonar a Herman Van Rompuy e vai levar algum tempo até que, dentro e fora da UE, alguém veja no primeiro-ministro belga a face de uma UE disposta a exercer a sua força no mundo. Obama continuará a telefonar a Angela Merkel, a Nicolas Sarkozy e ao primeiro-ministro britânico. A acção externa da União, no G20 ou em Pequim, continuará a ter uma multiplicidade de representantes. Uns mais importantes do que outros.

A Europa perdeu a primeira grande oportunidade de provar que falava a sério quando afirmava que o Tratado de Lisboa - o resultado de oito anos de dolorosa e lenta introspecção para tentar adaptar-se ao mundo real - lhe daria finalmente os instrumentos políticos para exercer na cena internacional todo o seu peso.

Tony Blair, que simbolizava a opção diametralmente oposta, com todos os seus defeitos, foi eliminado pelas suas qualidades. Rompuy, com todas as suas qualidades, foi escolhido graças aos seus defeitos. Não poderia haver uma figura mais apagada e sem história que a sua. O Conselho Europeu terá provavelmente um bom gestor da sua agenda, que se esforçará por gerar consensos. Não terá um político capaz de forçar decisões e apontar uma direcção.

A escolha do novo presidente do Conselho Europeu é o resultado da vontade de Merkel, da rendição de Sarkozy e dos fantasmas de muitos dos outros líderes. A chanceler sempre quis alguém que "se contentasse em organizar as reuniões." Como sempre, não abriu o jogo até ao fim e acabou por impor a sua vontade. O Presidente francês teve, pelo menos, o mérito de ter defendido uma "figura forte". Começou por Blair e chegou a propor Felipe González. Pagou o preço da sua recente conversão às virtualidades do eixo Paris-Berlim. Não foi por acaso que ontem o "Monde" escreveu: "A rejeição de Blair sela a unidade franco-alemã". Contra o Reino Unido?

Os pequenos países, que sempre projectaram no presidente europeu o seu medo de um "directório", acabaram por se contentar com a migalha de ser um dos seus. Talvez sem perceber que a alternativa é serem as grandes capitais, cada vez mais, a ditar as regras do jogo. Muitos deles agarram-se à ideia de que o verdadeiro "telefone" da Europa seria o alto representante. A tese seria defensável se a escolha tivesse recaído em David Miliband ou Carl Bildt. Qualquer deles domina os palcos do mundo. Catherine Ashton desmente-a. É uma mulher que vem do Reino Unido. A sua escassa experiência internacional garante que não fará sombra nem às grandes chancelarias europeias nem ao presidente da Comissão, da qual será vice-presidente. Em Bruxelas está tudo tranquilo. Mudou alguma coisa, para que tudo possa ficar mais ou menos na mesma.



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E agora?

Como de costume, uma análise sóbria e correcta dos acontecimentos por parte da Teresa de ...

Diogo Pinto

20.11.2009 13:06

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