Ana Gomes diz que entregou ao PGR “indícios relevantes” da conivência com voos da CIA

26.01.2007 - 22:43 Por Lusa
A eurodeputada socialista Ana Gomes disse hoje, em Lisboa, ter entregue ao procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, “indícios relevantes” de conivência do Estado português com “ilegalidades e graves violações dos direitos humanos” no transporte ilegal de prisioneiros.
Ana Gomes, que chegou discretamente, a pé, ao palácio Palmela, leu uma breve declaração aos jornalistas à saída da audiência de uma hora com o PGR, recusando-se a responder a qualquer pergunta.
A deputada europeia eleita pelo PS disse ter entregue a Pinto Monteiro “documentação que consubstancia, do seu ponto de vista, indícios relevantes de ilegalidades e graves violações dos direitos humanos decorrentes do transporte ilegal de prisioneiros, através do território português, por parte de agentes ou serviços estrangeiros envolvendo aeronaves em voos civis privados, operados ou ao serviço da CIA, e em voos militares autorizados pelo Estado português”.
“Terminados os trabalhos da comissão temporária do PE, que integrei, e que se debruçou sobre este assunto, e tendo deixado à ponderação do senhor procurador-geral da República os elementos que entendi submeter-lhe, não tenciono proferir outra declaração ou comentário sobre esta matéria”, concluiu, escusando-se a responder a todas as perguntas dos jornalistas.
PGR vai analisar informações
A Procuradoria-Geral da República (PGR) disse entretanto à agência Lusa que vai remeter as informações da eurodeputada Ana Gomes para o departamento competente, que examinará a existência ou não de indícios suficientes para a abertura de um inquérito.
As informações sobre a alegada conivência do Estado português com voos ilegais da CIA de transporte de prisioneiros, que Ana Gomes entregou hoje ao Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, serão remetidas para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).
O DCIAP já recebeu, na semana passada, uma participação sobre o mesmo assunto feita pelo jornalista da “Visão” Rui Costa Pinto.

