Amnistia Internacional considera que jornalista russa morreu pelo “seu trabalho”

07.10.2006 - 23:41 Por AFP, Reuters
A organização de defesa dos direitos humanos, Amnistia Internacional, expressou hoje a sua tristeza profunda com a morte em Moscovo de Anna Politkovskaia, atingida “devido ao seu trabalho de jornalista” que testemunhou violações dos direitos do Homem na Tchetchénia.
“A Amnistia Internacional acredita que Anna Politkovskaia foi vitimada por causa do seu trabalho, que testemunhou violações dos direitos do Homem na Tchetchénia e em outras regiões da Rússia”, escreve a organização internacional.
A organização “apela às autoridades russas para esclarecerem a sua morte, de forma minuciosa e imparcial, para publicarem esse inquérito e para que os autores sejam julgados dentro do respeito ao direito internacional”.
A Amnistia Internacional pede ainda ao Governo russo para que “tome medidas urgentes para garantir a todos os defensores dos direitos humanos e aos jornalistas independentes na Rússia – incluindo no Cáucaso – a possibilidade de trabalharem com toda a segurança e sem recear intimidações”.
O corpo de Anna Politkovskaia, de 48 anos e com dois filhos, foi encontrado hoje dentro do elevador do seu prédio de nove andares em Moscovo e a Procuradoria-Geral já anunciou a abertura de um inquérito.
“A primeira coisa que me vem à cabeça é que Anna morreu pela sua profissão. Não vejo outro motivo para este crime horrível”, disse Vitaly Yaroshevsky, editor do jornal para onde Politkovskaya trabalhava.
Em Nova Iorque, o Comité de Protecção dos Jornalistas descreveu a morte de Politkovskaia como “um acontecimento devastador para o jornalismo na Rússia”.
O antigo Presidente russo, Mikhail Gorbachev, considerou esta morte “um crime selvagem”. “É um golpe duro para toda a democracia, para a imprensa independente”, disse Gorbachev à agência Interfax. “É um crime grave contra o país, contra todos nós”.
Dias antes da sua morte, Politkovskaya estava a trabalhar numa história sobre tortura na Tchetchénia. O trabalho deveria ser publicado na segunda-feira.
A Tchetchénia tem sido uma dor de cabeça constante para o Kremlin. Em 1994, a Rússia enviou tropas para estancar um levantamento. Mas depois de doze anos de derramamento de sangue e da devastação da capital da província, Grozny, os ataques continuam.
Politkovskaia era uma crítica de Vladimir Putin, acusando-o de reprimir a liberdade. “Não gosto dele pelo seu cinismo, pelo seu racismo, pelas suas mentiras... pelo massacre de inocentes”, escreveu a jornalista no seu livro “A Rússia de Putin”, publicado em todo o mundo menos na Rússia.
Actualmente existem poucas vozes independentes nos media russos, a maioria controlada pelo Estado ou por interesses económicos.

