Amnistia Internacional acusa Israel de destruição deliberada de infra-estruturas civis libanesas

23.08.2006 - 11:03 Por AP
A Amnistia Internacional acusa o Governo de Israel de cometer crimes de guerra no Líbano, afirmando que o país violou as leis internacionais ao destruir deliberadamente infra-estruturas civis durante a sua ofensiva contra o Hezbollah. A associação vai também pronunciar-se sobre "as graves violações da lei internacional" pelo Hezbollah num relatório separado.
A associação de defesa dos direitos humanos afirma que os dados recolhidos até ao momento (o padrão e a extensão dos ataques, o elevado número de civis mortos, a destruição em larga escala e algumas declarações de responsáveis militares israelitas) "indicam que tal destruição foi deliberada e que fez parte da estratégia militar, não podendo ser considerada como 'dano colateral'".
A Amnistia Internacional (AI) afirma que Israel violou as leis internacionais que proíbem o ataque directo contra civis, levando a cabo ataques indiscriminados e desproporcionados. "A escala de destruição foi simplesmente extraordinária", afirmou uma das responsáveis do grupo de defesa dos direitos humanos, Donatella Rovera, que visitou o Líbano durante o conflito.
ONU deve investigar "graves violações da lei internacional" pelo Hezbollah
O relatório apela também às Nações Unidas para que instaure um inquérito com carácter de urgência "às graves violações da lei internacional" cometidas pelo Hezbollah. A AI não se alargou sobre os actos do movimento xiita porque pretende fazê-lo num relatório próprio.
Depois de ter tido conhecimento do relatório da AI, o porta-voz do ministério israelita dos Negócios Estrangeiros, Mark Regev, afirmou que Israel agiu dentro da lei: "As acções israelitas no Líbano respeitaram as leis internacionais. Ao contrário do Hezbollah, nós não atingimos deliberadamente a população civil libanesa. Pelo contrário, sob condições muito difíceis, tentámos ser tão cirúrgicos quanto possível ao atingirmos a organização terrorista do Hezbollah".
Regev afirmou ainda que as infra-estruturas libanesas "apenas foram atingidas quando estavam a ser exploradas pela máquina do Hezbollah".

