A Itália está a registar "uma erosão progressiva dos direitos humanos, em particular no que diz respeito aos migrantes, às minorias e aos que pensam em pedir asilo no país", denunciou o porta-voz da Amnistia Internacional para aquele país, Riccardo Noury.
"Há leis e práticas preocupantes", disse Noury à rádio local Cnr, no dia em que o Conselho das Nações Unidas para os Direitos Humanos debate o caso italiano, que se tem caracterizado por acusações de xenofobia e de práticas que fazem recordar os tempos do fascismo.
Este exame anual do que está a acontecer no país governado por Silvio Berlusconi "deverá ser uma ocasião para se conseguirem progressos substanciais quanto às obrigações internacionais da Itália em matéria de direitos humanos", afirmou aquele representante da Amnistia.
"Em particular, as disposições do chamado pacote de segurança, a entrada em vigor de um acordo com a Líbia para a intercepção de barcos com clandestinos e as medidas que têm tudo a ver com os estrangeiros" foram referidas por Riccardo Noury.
O porta-voz daquela organização internacional considerou inquietantes alguns dos aspectos da legislação antiterrorista e as normas sobre a regularização dos clandestinos, tendo lamentado que o Código Penal italiano não comporte qualquer cláusula referente ao crime de tortura.
Entretanto, em Genebra, o vice-ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Vincenzo Scotti, afirmou o empenho do seu país em combater o racismo e a xenofobia: "A estigmatização de certos grupos étnicos ou sociais continua a ser um importante tema de inquietação do Governo e das autoridades locais".
As organizações humanitárias e de defesa dos imigrantes criticaram vivamente, o mês passado, a forma como as autoridades lidaram com os incidentes em Rosarno, na Calábria, uma região do Sul do país.
Aí, habitantes aparentemente enquadrados pela máfia local, a N'drangheta, desencadearam uma autêntica "caça ao negro", contra imigrantes empregados ilegalmente como trabalhadores agrícolas sasonais. A calma só voltou à região depois da expulsão da maior parte dos estrangeiros.


