Amado diz que um "não" num referendo de ratificação do Tratado de Lisboa abriria grave crise política 
13.12.2007 - 09:46 Por Lusa
O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirma em entrevista hoje publicada no jornal ABC que um eventual "não" num referendo ao Tratado Reformador criaria uma crise política ainda mais grave do que a recentemente vivida na União Europeia.
"Teremos uma crise política na Europa, mais grave do que já tivemos. Sem dúvida que se houver uma rejeição na ratificação [do Tratado a assinar hoje em Lisboa] em qualquer estado o processo fica de novo parado e teremos uma crise na Europa", sublinhou Luís Amado na entrevista ao jornal espanhol.
O ministro português, que a 31 de Dezembro deixa a presidência do Conselho de Ministros da União Europeia (UE), alertou para os perigos dessa eventual crise política, afirmando que devem ser um "facto de peso na hora de tomar uma decisão".
"Os cidadãos europeus têm a noção de que a Europa deve ser mais forte e este Tratado ajuda a conseguir isso", acentuou.
Sobre a figura do presidente do Conselho, criada pelo Tratado alcançado na cimeira de Outubro em Lisboa e que hoje será assinado na capital portuguesa, Luís Amado disse que o assunto já tem sido falado, "mas até agora nada relacionado com isso pode ser considerado encerrado. Há que esperar pela ratificação do tratado e depois há que preparar as novas instituições" da UE.
Admitindo que cada vez mais é difícil alcançar um acordo, Luís Amado referiu que os "consensos a 27 são muito complicados, mas essa é a regra e há que trabalhar com o que se tem".
Fazendo um balanço da presidência portuguesa da UE, Luís Amado diz sentir a convicção de que Portugal contribuiu para criar as condições para que o projecto europeu se desenvolva e corresponda às expectativas dos seus cidadãos (..) e às responsabilidades internacionais da Europa".
Sublinhou que a partir de 1 de Janeiro de 2008 a UE "está melhor preparada para desempenhar esse papel".
Ainda sobre o Tratado de Lisboa, Luís Amado referiu nunca ter duvidado de que a presidência portuguesa iria conseguir alcançar o acordo dos 27, admitindo, no entanto, a existência de dificuldades até ao último momento.
O "segredo da diplomacia portuguesa" para conseguir o acordo foi, revelou o ministro português, colocar toda a pressão sobre os governos dos 27 e não deixar que outros temas desviassem a atenção.
"O calendário que marcámos foi importante, assim como não entrar em pânico com a pressão do então primeiro-ministro polaco para adiar a cimeira de Outubro (em Lisboa) para depois das eleições polacas. No início da sessão [da cimeira] resolvemos a questão colocada pela Itália para depois tratarmos dos outros assuntos", acrescentou.
Sobre a cimeira UE/África disse que a questão da presença do presidente do Zimbabwé, Robert Mugabe, acabou "por ser marginal nos debates e nos trabalhos, mas teve um eco desproporcionado, do ponto de vista mediático".
Quanto ao balanço da cimeira, considerou que o facto de se ter realizado, "com uma enorme participação, em si mesmo é um êxito, porque desbloqueou um processo de relacionamento político" que estava paralisado.
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