Poucos vestidos terão causado tanta polémica como aquele que a estudante brasileira Geisy Arruda levou para as aulas na Universidade Bandeirante, em São Paulo. A aluna foi expulsa por usar trajes curtos, houve protestos à porta da universidade e entrevistas na televisão. Ontem a direcção da escola readmitiu a aluna, mas falta saber se esta irá voltar ou se aceitará ofertas de outras universidades para acabar o curso de turismo.
Não é um episódio que se associe ao Brasil, onde as roupas curtas combinam com o sol e o calor. Mas foi no Brasil que aconteceu. Geisy Arruda, ou “a Geisy” como muitos lhe chamam, foi às aulas com um vestido vermelho que lhe fica vários centímetros acima do joelho. Nenhuma novidade, até aqui. E continuaria sem haver notícia se esta aluna de 20 anos não tivesse sido agredida por colegas dentro da Universidade Bandeirante por causa da roupa que trazia.
Não se sabe se foram só estes os motivos. Certo é que a direcção da universidade decidiu expulsá-la, houve manifestações de apoio e contra a aluna, o Ministério da Educação brasileiro acabou por pedir explicações e a secretária do Ensino Superior, Maria Paulla Dallari, considerou “desproporcionada a expulsão”.
Para a União Nacional dos Estudantes, que entretanto iniciou uma campanha em defesa de Geisy, a decisão da universidade foi “descomunal”. O presidente da organização, Augusto Chagas, disse ao "El País" que “é como quando afirmam que a causa de uma violação é a forma como a mulher ia vestida”.
Não se sabe se Geisy voltará a frequentar aquela universidade privada com cerca de 60 mil alunos, mas poderá fazê-lo, se quiser. Depois de protestos em frente à universidade e na Internet, de terem percorrido o mundo as imagens da agressão, a universidade decidiu reintegrar a aluna. A própria ministra Nilcea Freire criticou a “intolerância absoluta e discriminação”.
Passaram já duas semanas desde as agressões, a 22 de Outubro. Naquele dia Geisy teve de abandonar a universidade escoltada pela polícia, antes de a universidade determinar, no passado domingo, que a aluna tinha demonstrado “falta de respeito pelos princípios éticos, a dignidade académica e a moralidade”.
Em conferência de imprensa, rodeada pelos seus advogados, Geisy Arruda disse que a experiência que viveu nos últimos dias foi “humilhante”. E adiantou: “O que quero agora é entrar nas salas de aulas, sentar-me, estudar e fazer os testes”.


