Um importante membro da Al-Qaeda apelou aos uigures de Xinjiang (a região chinesa de maioria muçulmana) para se prepararem seriamente para uma guerra santa contra a “opressiva” China. E exortou todos os irmãos islâmicos a oferecerem ajuda.
Num vídeo colocado hoje num site islamista, Abu Yahya al-Libi avisou que a China poderá ter um destino semelhante ao da União Soviética, que se desintegrou há duas décadas. “O Estado do ateísmo está a precipitar-se para a sua queda. Vai enfrentar o mesmo que o urso russo [União Soviética]”, disse Libi na mesma mensagem em que acusou a China de cometer massacres contra os uigures e de pretender acabar com a sua identidade.
Em 1979 as forças soviéticas invadiram o Afeganistão para apoiar um governo marxista contra os combatentes islâmicos, mas foram derrotadas pela guerrilha e obrigadas a retirar-se em 1988-89. A Al-Qaeda emergiu precisamente destes grupos que lutaram contra a URSS.
Os uigures, a principal etnia de Xinjiang, a que os islamistas chamam de Turquistão Oriental, têm laços culturais com os povos turcos da Ásia Central. “Não há forma de acabar com a injustiça e opressão sem um verdadeiro regresso [dos uigures] à sua religião... e uma preparação séria para a jihad no caminho de Deus Todo Poderoso, carregando armas contra aqueles invasores [chineses]”, afirmou o membro da Al-Qaeda. “É hoje um dever para os muçulmanos ficar ao lado dos seus irmãos feridos e oprimidos no Turquistão Oriental... e apoiá-los com tudo o que puderem.”
Libi acusou ainda a China de usar “formas satânicas” para oprimir os muçulmanos na província, “roubando a sua riqueza e pondo em risco a sua cultura e religião”.
Pequim mantém um controlo apertado em Xinjiang, que faz fronteira com a Rússia, Mongólia, Cazaquistão, Quirguízia, Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão e Índia. A região tem grandes reservas de petróleo e é o maior produtor de gás natural da China.
A província enfrentou uma onda de violência em Julho, quando uigures atacaram chineses da etnia han (largamente maioritária no país) em Urumqi, a capital de Xinjiang, depois de a polícia ter impedido uma manifestação como resposta à violência contra trabalhadores uigures numa fábrica no Sul da China. Os distúrbios de Urumqi provocaram 197 mortos e mais de 1600 feridos, a maioria han; cerca de mil pessoas, principalmente uigures, foram detidos.
Notícia corrigida às 12h14


