Aliança Atlântica anuncia amanhã retoma formal do fórum de negociações com a Rússia

04.03.2009 - 11:03 Por Dulce Furtado
A NATO vai anunciar amanhã formalmente a data efectiva da retoma das reuniões ao mais alto nível com a Rússia, interrompidas ao longo dos últimos seis meses por causa do conflito armado travado entre Moscovo e a vizinha pró-ocidental Geórgia. “É essa a base do compromisso político a que chegámos”, evocou fonte diplomática da Aliança, citada pela agência noticiosa francesa AFP.
Essa decisão de retoma do Conselho NATO-Rússia – a ser tomada na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros da Aliança, amanhã, em Bruxelas – apontará, segundo a mesma fonte, para a realização “proximamente” de uma sessão extraordinária daquele crucial fórum de discussão ao nível ministerial.
Trata-se de um “compromisso” que permite à NATO conciliar as opiniões – maioritárias no seio da Aliança – daqueles países que defendem um regresso rápido ao diálogo com a Rússia com as dos que mantêm reservas e hesitações em relação ao regime russo: os que saíram teoricamente da esfera de influência de Moscovo, como a Polónia, República Checa e os países bálticos.
Em finais de Janeiro, em negociações dos 26 embaixadores da NATO com o enviado russo à Aliança, o “falcão” nacionalista Dmitri Rogozin, ficara desde então decidida a retoma dos encontros regulares do Conselho NATO-Rússia que fora abruptamente suspenso em Agosto de 2008, depois de Moscovo retaliar à ofensiva de Tbilissi para recuperar o controlo sobre a região separatista georgiana da Ossétia do Sul. Falou-se então numa primeira reunião ao mais alto nível entre a Aliança e a antiga rival do lado de lá da Cortina de Ferro para finais de Fevereiro.
O encontro de amanhã dos MNE da NATO prevê igualmente reuniões com os chefes da diplomacia da Ucrânia e Geórgia – as duas “pedras de choque” na Europa das relações entre o Ocidente e a Rússia e, também, duas aspirantes a aderir à Aliança sob um olhar de muito expressivo desagrado de Moscovo.
Não será de esperar, porém, que a NATO anuncie já amanhã o regresso aos encontros formais e regulares com aquelas duas ex-repúblicas soviéticas, avisou a mesma fonte diplomática ouvida pela AFP – justificando esta demora com a necessidade de Kiev designar novo ministro dos Negócios Estrangeiros após a demissão, na véspera, de Volodimir Ohryzko, pelo Parlamento ucraniano, com a argumentação de que este prosseguia uma política externa “demasiado pró-ocidental”.

