A Alemanha reconheceu o Conselho Nacional de Transição (CNT), o órgão político da rebelião líbia, como o “representante legítimo” do país, declarou o chefe da diplomacia de Berlim, Guido Westerwelle, que ontem visitou Bengasi, a “capital”. O apoio dará peso aos líderes que substituirão Muammar Khadafi, se o coronel cair.
“O CNT é o representante legítimo do povo líbio”, declarou o ministro aos jornalistas, depois dos seus encontros com os responsáveis do CNT, incluindo Ali al-Essaoui, encarregue dos Negócios Estrangeiros. “Queremos uma Líbia livre, em paz e democrática, sem Khadafi”, adiantou.
Um alto responsável dos rebeldes, que assistiu ao discurso, comentou à Reuters: “É um passo muito grande e saudamo-lo”, disse Abdel Hafiz Gogha, vice-presidente do Conselho.
O Governo alemão decidiu ainda abrir uma representação diplomática em Bengasi, no Leste da Líbia. Trata-se do 13º país a reconhecer a nova liderança. A Alemanha junta-se assim aos Emirados Árabes Unidos, França, Qatar, Reino Unido, Itália, Gâmbia, Malta, Jordânia, Senegal, Espanha, Austrália e Estados Unidos no reconhecimento de que o CNT tem legitimidade para governar.
Berlim absteve-se na aprovação a 17 de Março da resolução 1973 da ONU que autorizou o uso da força para proteger civis dos ataques do regime de Muammar Khadafi. Também se recusou a qualquer papel na operação internacional que está a ser liderada pela NATO. Ambas as decisões foram recebidas com um coro de críticas da oposição alemã, órgãos de comunicação e especialistas em relações externas. Até por esta razão, o reconhecimento tornado ontem público terá um peso particular.
Westerwelle aproveitou para justificar que a posição alemã “não significa neutralidade”. “Fomos um dos primeiros governos a dizer que o coronel Khadafi deveria partir”, afirmou. “É necessário esperar pelo isolamento económico do coronel Khadafi”, cita a AFP. “Os bens de Khadafi devem ser desbloqueados para servir a construção de uma nova Líbia. A riqueza da Líbia é para o povo líbio”.
Os rebeldes controlam grande parte do Leste do país. Este fim-de-semana voltou a ser marcado por confrontos: forças do regime envolveram-se em tiroteios com os revoltosos na cidade de Zawiyah, a 50 quilómetros de Trípoli, a capital. As forças de Khadafi dão sinais de resistência. Mas alguns responsáveis ocidentais afirmam que a queda do coronel é apenas uma questão de tempo.



