Alemanha quer que imigrantes assinem "contratos de integração"

24.11.2009 - 08:34 Por Maria João Guimarães
Um imigrante deverá ter de assinar um contrato dizendo que aceita certos valores quando decidir viver na Alemanha, segundo planos de Berlim. Entre os valores que os candidatos têm de prometer respeitar estão direitos iguais para as mulheres.
"Quem queira viver cá e cá queira trabalhar a longo prazo terá de dizer "sim" ao nosso país", explicou a comissária da Integração, Maria Boehmer. "Isto quer dizer saber como falar a nossa língua, e também uma vontade de participar na nossa sociedade". Boehmer disse ainda que a intenção é introduzir esta medida durante esta legislatura.
Os contratos terão não só deveres dos imigrantes mas também vão enumerar os seus direitos. "Será estabelecido o que podem esperar em termos de apoio e ajuda", frisou Boehmer, do partido cristão-democrata (CDU) da chanceler alemã, Angela Merkel.
Na Alemanha há cerca de 15 milhões de imigrantes numa população total de 82 milhões de pessoas, e o maior grupo é de origem turca (cerca de três milhões).
O país introduziu no ano passado um teste de escolha múltipla de língua e cultura para quem quiser pedir a cidadania alemã (vários outros países europeus fizeram o mesmo; em Portugal há um teste de língua).
Há um debate sobre se há na Alemanha comunidades a viver em "sociedades paralelas". Um antigo ministro das Finanças da cidade de Berlim, Thilo Sarrazin, causou uma onda de indignação quando questionou a vontade de turcos e árabes contribuírem para a economia da cidade, dizendo que "há, de facto, grandes sociedades paralelas em alguns bairros de Berlim". A capital alemã tem 3,4 milhões de habitantes; 120 mil são turcos.
Sarrazin provocou especial polémica ao dizer que não se sentia "na obrigação de respeitar pessoas que vivem da ajuda do Estado, negam o Estado, não fazem nada para educar os filhos, e só produzem mais raparigas de lenço", algo que acontece com "70 por cento da população turca e 90 por cento da população árabe em Berlim".
Turcos indesejados
Muitos imigrantes estrangeiros na Alemanha queixam-se de discriminação. Numa sondagem recente, metade dos turcos a viver na Alemanha dizia que se sentia "indesejada" e confessava mesmo que gostaria de voltar à Turquia (onde, entretanto, também já não se sentia bem-vinda).
A língua é apontada por alguns especialistas como uma barreira na integração de muitos turcos, enquanto outros sublinham que as questões culturais são o principal problema.
A comissária Maria Boehmer afirmou que o país devia não só ter em atenção os exemplos negativos de dificuldade de integração mas sublinhar os casos positivos.
"Ainda que uma parte importante do debate seja sobre maus resultados na escola, também tem de haver discussão sobre os que fazem os seus exames, que continuam a estudar, que começam empresas, que são engenheiros ou médicos ou advogados", disse Boehmer - pessoas que contribuem de modo positivo para a economia alemã.


