O Governo alemão confirmou hoje que dois dos três corpos recuperados ontem no Norte do Iémen são de duas cidadãs alemãs, sequestradas na semana passada. A terceira vítima era sul-coreana. As informações sobre os restantes seis elementos do grupo são contraditórias, mas fontes locais admitem que possam igualmente ter sido mortos.
Segundo o Ministério do Interior iemenita, os corpos das três mulheres foram encontrados ontem de manhã por pastores junto à cidade Nashour, na província setentrional de Saada, um bastião dos rebeldes zaiditas (a seita xiita mais conservadora, considerada próxima dos sunitas na aplicação da lei islâmica), a quem o Governo atribuiu o sequestro.
Face às informações recebidas de Sanaa, a capital iemenita, o chefe da diplomacia alemã, Frank-Walter Steinmeier, anunciou esta manhã que Berlim “deve infelizmente considerar” que as duas alemãs morreram. O ministro não identificou as duas vítimas que, segundo a imprensa alemã, são duas enfermeiras estagiárias, de 24 e 25 anos. Pouco antes, a diplomacia sul-coreana confirmou também a morte de uma concidadã no mesmo incidente.
As mulheres, cujos corpos chegaram hoje a Sanaa, integravam um grupo de nove estrangeiros – que incluía ainda um médico alemão, a mulher e três filhos menores e um engenheiro britânico – desaparecidos desde sexta-feira quando faziam um piquenique. Os adultos do grupo trabalhavam num hospital da província, gerido pela organização humanitária Worldwide Services.
Steinmeier escusou-se a revelar que informações tem sobre o paradeiro dos restantes reféns, indicando apenas que eles foram sequestrados por um “grupo violento sem escrúpulos”.
Ontem, um responsável da segurança local, que falou à AFP sob condição de anonimato, revelou que tinham sido encontrados sete corpos, incluindo de um menor, mas que as outras duas crianças estariam vivas. A mesma informação foi adiantada por outro responsável do Ministério do Interior, citado por um dos principais diários de Sanaa, mas o Governo iemenita recusa, para já, confirmar a informação.
Por seu lado, o diário “Sueddeutsche Zeitung” noticia hoje que os serviços de informação alemães acreditam que todos os reféns terão sido mortos e que terá sido um grupo ligado à Al-Qaeda, e não os rebeldes xiitas, os responsáveis pela acção.
A hipótese tinha já sido admitida ontem por analistas ouvidos pela Reuters, sublinhando que a descoberta dos corpos ocorreu um dia depois das autoridades iemenitas terem anunciado a captura de um cidadão saudita, suspeito de ser o principal financiador das actividades da rede terrorista no Golfo.
Nos últimos anos, vários especialistas alertaram para o risco de o Iémen, o mais pobre dos países árabes, a braços com revoltas e dissensões internas, se transformar num refúgio para a rede de Osama bin Laden que, a partir do país, poderia retomar os seus esforços para desestabilizar a vizinha Arábia Saudita e tentar derrubar a monarquia reinante.


