Centenas de alemães manifestaram-se hoje em Berlim exigindo a demissão do Presidente, Christian Wulff, envolvido num escândalo financeiro. Numa referência aos protestos da “Primavera Árabe”, os manifestantes pediam a saída do Presidente erguendo cartazes de ordem e de sapato na mão.
Frente ao palácio presidência, onde se juntaram os manifestantes, um cartaz ironizava: “Este cargo exige talento: Georg Schramm [comediante alemão] a Presidente!”.
Segundo o site da Deutsche Welle, terão ido protestar à porta do palácio de Bellevue umas 300 pessoas, convocadas por Facebook pelo grupo Creative lobby of future .
O descontentamento popular gerado à volta de Christian Wulff fez-se notar um dia depois de a revista Der Spiegel ter avançado com novas informações sobre o polémico empréstimo de 500 mil euros que o Presidente contraiu junto da mulher de um empresário amigo, quando era governador do estado-federado da Baixa-Saxónia.
A publicação alemã dava ontem conta que o banco no qual foi feito o crédito, o BW-Bank, tem uma versão que contradiz o que Wulff deu ao diário Die Welt.
A polémica – que causou na opinião pública alemã consternação de políticos e comentadores, pedindo da demissão do Presidente – começou quando o tablóide Bild revelou que Wulff contraiu o empréstimo pagando juros mais baixos do que os do mercado, em 2008. Apesar da pressão pública, Wulff afirmou, ainda esta semana, que se vai manter no cargo.
O caso tornou-se num duplo escândalo, depois de se saber que o Presidente tentou impedir a publicação da notícia do Bild (o diário de maior circulação na Alemanha), deixando uma mensagem de voz ao director da publicação, Kai Diekmann, a ameaçá-lo com uma “guerra”.
Notícia substituída às 18h53: Substituída a notícia anterior da Lusa por notícia própria do PÚBLICO



