A revelação tardia por parte do Irão de uma segunda central para enriquecimento de urânio, junto à cidade de Qom, levou a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) a pedir “mais clarificações” sobre o programa nuclear iraniano e aumentou as preocupações quanto à eventual existência de outras instalações nucleares secretas.
Uma equipa da agência da ONU visitou as instalações de Qom no mês passado e um relatório divulgado hoje pela AIEA confirma as suspeitas ocidentais de que as instalações começaram a ser construídas em 2002, e não em 2007 como referiram as autoridades iranianas.
O relatório da AIEA acrescenta que a revelação tardia da existência desta central “reduz o nível de confiança” e “coloca a questão de saber se existem outras instalações nucleares que não tenham sido reveladas”.
O chefe da equipa de negociadores iranianos, Ali Asghar Soltaniyeh, disse aos jornalistas que Teerão “forneceu toda a informação sobre as novas instalações” e que por isso o relatório da AIEA é “repetitivo”. Por isso, adiantou, “o Irão vai continuar a exercer o seu direito ao uso pacífico de energia nuclear, o que implica o enriquecimento de urânio”. Mas os EUA insistem que o país “deve mostrar que é um membro responsável da comunidade internacional”.
As instalações visitadas pelos inspectores da AIEA junto à cidade santa de Qom, a cerca de 150 quilómetros de Teerão, têm capacidade para cerca de 3000 centrifugadoras para enriquecimento de urânio, mas nenhuma foi ali encontrada e as autoridades iranianas disseram que as instalações só estarão operacionais em 2011. No entanto, a AIEA considerou que “as explicações iranianas sobre o objectivo destas instalações e a cronologia da construção necessitam de mais explicações”.
O relatório será examinado pelo conselho de governadores da AIEA, que reúne a 26 e 27 deste mês e será o último presidido por ElBaradei, cujo mandato termina no dia 30.



