O organismo executivo da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) aprovou hoje, por unanimidade, uma resolução exigindo ao Irão que suspenda o programa de enriquecimento de urânio, a fim de permitir o reinício das conversações, mas Teerão voltou a rejeitar o ultimato.
O Conselho de Governadores, reunido há dois dias em Viena para analisar o “dossier” nuclear iraniano, diz estar “seriamente preocupado” com o reinício da laboração na central de Isfahan e afirma que o Irão deve recuar para “permitir a possibilidade de novas discussões sobre a situação”.
“A fim de promover a confiança, o Conselho de Governadores considera necessário que o Irão suspenda todas as actividades ligadas ao enriquecimento de urânio”, sublinha a resolução, proposta pela “troika” europeia (França, Alemanha, Reino Unido) que tem negociado com Teerão em nome da UE.
Sem responder aos argumentos evocados por Teerão – que reivindica o direito do país a enriquecer urânio para alimentar as suas centrais nucleares – a resolução lembra que há “inúmeras questões sobre o programa nuclear iraniano que continuam por resolver e a AIEA ainda não está em condições de concluir que não existem materiais ou actividades nucleares não declaradas no Irão”.
No entanto, os 35 membros do organismo admitem que os inspectores internacionais concluíram que “todo o material declarado pelo Irão foi localizado e nenhum deste material foi desviado para actividades proibidas”.
Apesar do tom moderado do documento, o regime iraniano já anunciou que o país “não pode aceitar esta resolução”. “O Irão não cederá e dentro de dez anos será produtor de combustível nuclear”, afirmou a delegação iraniana junto da AIEA, embora sublinhando que o país vai continuar “a colaborar com a AIEA” no desenvolvimento do seu programa energético.
A decisão da AIEA ocorre um dia depois do regime iraniano ter quebrado os selos colocados pelos inspectores internacionais na central de Isfahan. A iniciativa era esperada desde que, no início da semana passada, o regime iraniano anunciou que iria retomar a conversão de urânio (etapa intermédia do processo de enriquecimento), suspensa desde Novembro do ano passado, na sequência de um acordo entre Teerão e a União Europeia.
Em troca da suspensão, a UE comprometeu-se a apresentar um pacote de ajudas económicas e tecnológicas, mas as propostas europeias foram rejeitadas pelo Irão.
Numa tentativa para acalmar os receios internacionais, o regime iraniano fez questão de que o reinício da laboração em Isfahan fosse acompanhado pelos inspectores da AIEA, que no início da semana passada colocaram câmaras de vigilância na central.



