Ahmadinejad: Documentos sobre o programa nuclear iraniano foram "fabricados" por Washington

22.12.2009 - 10:48 Por PÚBLICO
Os alegados documentos técnicos confidenciais que foram publicados no diário britânico "The Times" a descrever esforços de Teerão para criar um elemento susceptível de desencadear uma explosão nuclear foram forjados por Washington, disse o Presidente Mahmoud Ahmadinejad à cadeia televisiva norte-americana ABC News.
“São apenas documentos continuamente fabricados e difundidos pelo Governo americano”, declarou o Presidente iraniano, quando o interrogaram sobre a notícia de 14 de Dezembro referente a um plano de quatro anos para experimentar um iniciador de neutrões, parte das ogivas nucleares que desencadeiam as explosões atómicas.
As notícias de que o Irão está a trabalhar no iniciador de uma bomba atómica “não são verdadeiras”, disse Ahmadinejad durante uma entrevista concedida em Copenhaga, depois de ter participado na cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas.
O jornal “The Times” publicara na semana passada aquilo que dissera ser um documento em língua farsi, juntamente com a sua tradução em inglês, intitulado “Perspectiva de Actividades Especiais Relacionadas com Neutrões para os Próximos Quatro Anos”.
O documento enunciava os passos a dar para a criação e experimentação de partes de um engenho que inunda o urânio altamente enriquecido com partículas subatómicas, de modo a desencadear a reacção em cadeia própria de uma explosão nuclear.
Um porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ramin Mehmanparast, considerou essa peça do Times “sem fundamento, não merecedora de qualquer atenção, destinada a colocar pressão política e psicológica sobre o Irão”, que é o quinto exportador mundial de petróleo.
O país sempre tem dito que o seu programa de enriquecimento de urânio se destina a gerar electricidade, de modo a poder exportar mais gás e petróleo. Mas o Ocidente crê que a República Islâmica dos ayatollahs quer conseguir bombas atómicas, dado todo o seu historial de profundo secretismo em tudo o que se refere ao nuclear.
As fontes da notícia surgida em Londres, e que incluíam serviços secretos ocidentais, faziam recuar os alegados documentos ao início de 2007, quatro anos depois da alegada suspensão pelo Irão do seu programa de armamento.
“Certas alegações que estão a ser feitas quanto ao nosso programa nuclear são de muito mau gosto”, comentou agora Ahmadinejad.
Domingo, David Axelrod, principal conselheiro do Presidente Barack Obama, já declarara à ABC que todas as acusações de que Washington teria fabricado documentos sobre o Irão eram “absurdas”.
“Ninguém tem ilusões quanto aos objectivos do Governo iraniano...”, insistiu o conselheiro presidencial norte-americano, segundo o qual Teerão não teria aproveitado a possibilidade de dar prova da sua boa vontade aceitando a proposta de enviar para o exterior o seu urânio fracamente enriquecido, para depois ser tratado para objectivos civis.


