Ahmadinejad diz que não precisa de bomba atómica para enfrentar EUA

08.11.2011 - 11:18 Por Agências, PÚBLICO
O Irão não precisa da bomba atómica para enfrentar Washington e os seus aliados, declarou hoje o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusando ainda os EUA e Israel de tentarem ganhar apoio internacional a uma acção militar contra a República Islâmica.
Do lado israelita, o ministro da Defesa, Ehud Barak, veio desdramatizar o rufar dos tambores das últimas semanas, dizendo que a “guerra não é um piquenique”.
Tudo isto acontece quando a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), a agência da ONU para o nuclear, se prepara para divulgar um relatório sobre o programa nuclear iraniano, em que deverá apontar um objectivo militar ao contrário do que sempre garantiu Teerão.
Ahmadinejad reafirmou ontem esta premissa de um programa atómico sem fins militares. “Os Estados Unidos, que têm cinco mil bombas atómicas, acusam-nos, com imprudência, de fabricar uma arma atómica, mas eles deviam saber que se nós quisermos cortar a mão que eles estenderam sobre o mundo não precisaremos da bomba nuclear”, disse o Presidente iraniano, citado pela televisão estatal iraniana. “Podemos conseguir os nossos objectivos usando o pensamento, a cultura e a lógica”, adiantou, acusando ainda os EUA de pilhar a riqueza dos povos e de os humilhar.
Quanto ao relatório da agência, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Ali Akbar Salehi, garantiu que não havia qualquer “prova séria” de que o Irão estivesse em processo de fabrico de uma ogiva nuclear.
A guerra não é um piquenique
Na semana passada, exercícios militares em Israel seguiram-se a uma semana em que a possibilidade de um ataque ao Irão – alegadamente já decidida pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, e pelo ministro da Defesa, Ehud Barak, esteve nas primeiras páginas dos jornais. Mas hoje o ministro da Defesa, Ehud Barak, veio declarar que não foi tomada qualquer decisão de uma acção militar. “A guerra não é nenhum piquenique. Nós queremos um piquenique. Não queremos uma guerra”, disse. “Israel não decidiu ainda embarcar numa operação.” No entanto, contrapôs a ideia de que esta açcão será possível pois Israel tem de se preparar para “situações desconfortáveis” para se responsabilizar pela sua segurança.
Pressão para sanções?
Alguns analistas viram os comentários mais belicistas de Israel como um meio de pressionar os países ocidentais para mais acção contra o Irão quando fosse publicado o relatório da AIEA. Lembram que as anteriores acções de Israel para atacar instalações nucleares (Iraque e Síria) foram levadas a cabo sem especulação pública prévia.
Ehud Barak falou ainda da possível reacção internacional ao relatório: “Esta será provavelmente a última oportunidade contra sanções internacionais, coordenadas e letais, que forcem o Irão a parar.”
Um diplomata britânico citado sob anonimato pelo diário Guardian dizia, na semana passada, que o Irão se vinha a mostrar surpreendentemente resistente face às várias rondas de sanções já aprovadas pela ONU.
França e Rússia já expressaram oposição a um ataque militar ao Irão e a Alemanha também sublinhou que prefere o caminho das sanções. A China pediu, pelo seu lado, cooperação “sincera” de Teerão com a AIEA, acrescentando que a agência da ONU se deverá mostrar “justa e objectiva”.


