Ahmadinejad diz estar pronto para retomar negociações sobre o nuclear

26.01.2012 - 17:09 Por Isabel Gorjão Santos, com agências
O Presidente do Irão, Mahmoud Ahmadinejad, diz estar disponível para retomar as negociações sobre o programa nuclear do país, mas deixa um alerta: “É o Ocidente que precisa do Irão e a nação iraniana não sairá a perder com as sanções”.
Ahmadinejad acusou os países ocidentais de quererem aumentar a pressão sobre o Irão, depois de, na segunda-feira, a União Europeia ter aprovado um embargo ao petróleo iraniano. Disse estar disponível para retomar as negociações sobre o programa nuclear iraniano que envolvem os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e a Alemanha, suspensas há mais de uma ano.
“Por que é que deveríamos evitar as negociações? Um país que é racional e que está no seu direito não foge das negociações”, disse o Presidente iraniano num discurso que fez nesta quinta-feira em Kerman, no Sul do Irão, e que foi transmitido pela televisão estatal. Referia-se ao programa nuclear, que o Irão insiste apenas a fins pacíficos, uma posição posta em causa por um relatório divulgado em Novembro pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que concluiu ter sido efectuada investigação e testes “relevantes para o desenvolvimento de uma bomba nuclear”.
Esta foi a primeira intervenção de Ahmadinejad após a aprovação das sanções da União Europeia. A Teerão tem sido pedido que pare com as operações de enriquecimento de urânio, e agora o Presidente iraniano veio responsabilizar os países ocidentais pela suspensão das negociações. “São os que recorrem à coacção que se opõem às conversações”, disse. “São eles que arranjam desculpas e adoptam resoluções à margem das negociações para estas colapsarem”.
As sanções adoptadas pela UE proíbem a importação e transporte de petróleo iraniano, bem como as transacções com entidades financeiras iranianas, e deverão entrar em vigor progressivamente, até 1 de Julho, para que os países europeus que mais compram petróleo ao Irão possam encontrar alternativas.
Ao comentar as sanções, Ahmadinejad considerou que “é o Ocidente que precisa do Irão” e que “a nação iraniana não sairá perdedora”. E adiantou: “Houve uma altura em que 90 por cento do nosso comércio era com os europeus. Agora caiu para 10% e não fomos nós que pedimos isso. Cortem [a compra de petróleo] e veremos quem mais perde”. Actualmente a União Europeia é o segundo maior comprador de petróleo ao Irão, depois da China, que criticou a decisão da UE.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton defendeu que o objectivo das sanções é fazer o Irão regressar à mesa das negociações e disse mesmo esperar uma reacção de Teerão a esta proposta. “Estou pronta a retomar negociações desde que o Irão demonstre que estas serão sérias”, defendeu Ashton quando, em Outubro, propôs a retoma das conversações sobre o nuclear iraniano, sob condição de estas se centrarem na “questão chave” do programa nuclear. Teerão tem procurado centrar o debate em questões mais genéricas como a segurança regional.
Ainda que Ahmadinejad diga que os países ocidentais ficarão a perder com as sanções, a verdade é que estas têm afectado de forma significativa o quotidiano dos iranianos. A inflação é oficialmente de 21% mas alguns bens de consumo aumentaram para lá dessa percentagem, sublinhou a AFP. A moeda desvalorizou metade em apenas um ano e vários produtos importados, como telemóveis ou frigoríficos, aumentaram mais de 50 por cento.


