A onda de violência xenófoba que está a assolar os subúrbios sul-africanos desde há 12 dias, propagou-se hoje, pela primeira vez, à região do Cabo (sudeste), anunciou a polícia nacional.
Um reunião pública no subúrbio de Du Noon, situado a 20 quilómetros a norte da Cidade do Cabo, degenerou em violência, segundo um porta-voz da polícia local, Billy Jones.
"Algumas pessoas começaram a pilhar lojas pertencentes a pessoas do Zimbabwe e outros estrangeiros", declarou por telefone à AFP, precisando que se trata do primeiro incidente do género nos arredores da Cidade do Cabo. "Algumas pessoas foram atacadas, mas foram sobretudo as lojas a serem pilhadas", acrescentou.
"Cerca de 500 imigrantes fugiram do subúrbio para se refugiarem em centros sociais onde foram acolhidos", precisou.
Os incidentes na Cidade do Cabo começaram ontem às 18h00 (15h00 em Portugal) e a polícia não conseguiu tomar o controlo da situação antes das 02h00 (23h00 em Lisboa), detendo 12 pessoas por actos de violência pública.
"A situação estabilizou, mas ainda continua tensa", acrescentou, precisando que a polícia patrulha a zona a pé.
Pelo menos 42 pessoas foram detidas, centenas ficaram feridas, 16 mil foram deslocadas e mais de 500 detidas pela polícia desde o início das violências de 11 de Maio em Joanesburgo.
Os ataques xenófobos - incluindo uma prática chamada "necklace", que envolve colocar um pneu em chamas no pescoço da vítima - começaram por ser levados a cabo por gangs que vivem nos subúrbios pobres de Joanesburgo.
A pobreza extrema e o medo de ficar de fora num país onde o desemprego chega aos 40 por cento estarão na origem desta ira, que toma a forma de "ódio" - a palavra correu ontem as primeiras páginas dos jornais sul-africanos.


