África do Sul: Portugueses estão a dar guarida a cidadãos moçambicanos

20.05.2008 - 11:51 Por PÚBLICO, Agências
A comunidade portuguesa que vive na África do Sul está a acolher os cidadãos moçambicanos, com o objectivo de os pôr a salvo da onda de violência contra comunidades africanas que já fez pelo menos 24 mortos em vários bairros de Joanesburgo, na última semana.
O padre Carlos Gabriel, que vive em Joanesburgo, indicou à TSF e à Antena 1 que há portugueses que “têm estado a proteger os moçambicanos que trabalham para eles, dando-lhes guarida nas suas próprias casas para os defender”.
"Para já não há incidentes de ataques a portugueses ou a negócios de portugueses, mesmo aqueles que estão numa zona perigosa, como é o caso do centro de Joanesburgo onde parece ter começado a violência", sublinhou o religioso aos microfones da Antena 1.
A violência nos bairros pobres em volta da cidade começou há uma semana e alastrou a várias townships. A maioria das vítimas são cidadãos do Zimbabwe, que procuraram refúgio na África do Sul para fugirem à violência pós-eleitoral em Harare. Pelo menos duas das vítimas mortais eram moçambicanas. Os ataques xenófobos - incluindo uma prática chamada "necklace", que envolve colocar um pneu em chamas no pescoço da vítima - são levados a cabo por gangs que vivem nesses subúrbios pobres de Joanesburgo.
A pobreza extrema e o medo de ficar de fora num país onde o desemprego chega aos 40 por cento estarão na origem desta ira, que toma a forma de "ódio" - a palavra correu ontem as primeiras páginas dos jornais sul-africanos.

