Thabo Mbeki oficializou hoje o seu pedido de demissão, um dia depois do Congresso Nacional Africano (ANC) lhe ter retirado a confiança, por suspeita de interferência no processo judicial contra o novo líder do partido que governa a África do Sul desde o final do “apartheid”.
“Fui um membro leal do ANC durante 52 anos. Continuo a ser membro do ANC e, por isso, respeito a sua decisão”, anunciou o Presidente sul-africano, numa declaração ao país, transmitida pela televisão nacional, um dia depois do comité executivo ter pedido a sua demissão.
Mbeki explicou ter já enviado à presidente do Parlamento, Baleka Mbete, a carta de demissão, que terá efeito “na data que venha a ser determinada pela Assembleia Nacional”.
Na alocução, o Presidente sul-africano passou em revista os nove anos em que esteve à frente do Governo sul-africano e voltou a desmentir qualquer interferência na decisão do Ministério Público de reabrir as investigações a Jacob Zuma, o político que o destronou na liderança do partido. "Sempre protegi a integridade da Justiça", afirmou o sucessor de Nelson Mandela na presidência.
Nome do Presidente interino será conhecido amanhã
A direcção do ANC anunciou, entretanto, que vai tornar público amanhã o seu candidato à presidência interina, sendo que um dos nomes mais falados é o de Mbete. O escolhido, que terá depois de ser ratificado pelo Parlamento, onde o ANC detém uma maioria de dois terços, “anunciará em seguida a composição do seu Governo”, revelou Mathews Phosa, tesoureiro do partido.
O responsável sublinhou que o Congresso Nacional Africano “deseja que o actual [elenco] do Governo permaneça em funções”, mas admitiu “ser impossível forçá-los a ficar”.
Apesar da disponibilidade manifestada por Mbeki para abandonar o cargo assim que perdeu a confiança da direcção do ANC, vários dos seus ministros já deram a entender que pretendem seguir o ainda Presidente, abandonando o Governo, como é o caso do Ministro da Defesa, Mosiuoa Lekota.
A imprensa sul-africana noticiava esta manhã que alguns apoiantes de Mbeki admitem abandonar o histórico partido e criar uma nova formação – uma iniciativa que, em teoria, poderia pôr em causa o domínio do ANC no cenário político sul-africano desde 1994.
Mbeki, que liderou o ANC sem contestação durante uma década, foi afastado da liderança do partido no ano passado por Jacob Zuma, um dirigente apoiado pelos sindicatos e vários movimentos dentro do partido, apesar das suspeitas de corrupção que sobre ele pendiam.
Depois da sua eleição, o Ministério Público sul-africano reabriu um processo por corrupção num negócio de compra de armas que havia sido encerrado há vários anos, o que levou os seus apoiantes a acusarem Mbeki ter estar por detrás de uma conspiração para impedir o novo líder do ANC de se apresentar às presidenciais do próximo ano.
Na semana passada, o Supremo viria a anular o processo, por falta de fundamentos, dando a entender que a sua reabertura teria tido motivações políticas. Estas declarações abriram um novo debate dentro do ANC sobre o futuro de Mbeki, que teve ontem o seu desfecho.


