O vice-presidente do Congresso Nacional Africano (ANC, no poder na África do Sul) Kgalema Motlanthe foi hoje nomeado como o novo Presidente da República com plenos poderes, em substituição de Thabo Mbeki, que apresentou a demissão, indicou à AFP o porta-voz do grupo parlamentar.
Motlanthe – considerado um intelectual de esquerda – irá substituir Mbeki até às próximas eleições, previstas para Abril do próximo ano.
Thabo Mbeki oficializou ontem o seu pedido de demissão, um dia depois do ANC lhe ter retirado a confiança, por suspeita de interferência no processo judicial contra o novo líder do partido que governa a África do Sul desde o final do “apartheid”.
Mbeki, que liderou o ANC sem contestação durante uma década, foi afastado da liderança do partido no ano passado por Jacob Zuma, um dirigente apoiado pelos sindicatos e vários movimentos dentro do partido, apesar das suspeitas de corrupção que sobre ele pendiam.
Depois da eleição de Zuma, o Ministério Público sul-africano reabriu um processo por corrupção num negócio de compra de armas que havia sido encerrado há vários anos, o que levou os seus apoiantes a acusarem Mbeki ter estar por detrás de uma conspiração para impedir o novo líder do ANC de se apresentar às presidenciais do próximo ano.
Na semana passada, o Supremo viria a anular o processo, por falta de fundamentos, dando a entender que a sua reabertura teria tido motivações políticas. Estas declarações abriram um novo debate dentro do ANC sobre o futuro de Mbeki, que teve ontem o seu desfecho.
Da prisão à governação
Kgalema Motlanthe, nascido em 1949, é encarado como uma figura capaz de sanar as feridas mais profundas existentes na história do ANC. “Ele é uma pessoa muito sólida [...] Também parece evitar fazer inimigos e no presente clima político isso é uma coisa boa”, afirmou Keith Gottschalk, um analista político sul-africano, professor universitário, citado pela Reuters.
Motlanthe é um ex-activista estudantil, ex-sindicalista e antigo soldado do braço militar do ANC UmKhonto we Sizwe. Em 1977 foi condenado a dez anos de prisão e encarcerado na Ilha de Robben junto com Nelson Mandela e Zuma, sob o regime segregacionista do “apartheid”. Já em liberdade, atinge o cargo de secretário-geral do ANC em 1997 e torna-se o seu vice-presidente dez anos depois, em 2007.
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