A maioria dos afegãos acredita que a pobreza, o desemprego e a corrupção do Governo - e não os taliban - são as principais causas para a guerra contínua no seu país.
Segundo um relatório divulgado hoje pela organização não governamental britânica Oxfam, realizado com vários grupos locais, o desemprego está nos 40 por cento no Afeganistão e mais de metade do país vive abaixo do limiar da pobreza.
A Oxfam baseou este relatório num inquérito a 700 afegãos: para 70 por cento dos inquiridos, a pobreza e o desemprego são os principais motivadores do conflito. Quase metade apontou a corrupção e a falta e eficácia do seu governo.
Só 36 por cento considerou que são os taliban os maiores responsáveis pela continuação da violência.
“As pessoas do Afeganistão sofreram 30 anos de terror implacável. A sociedade afegã foi devastada”, disse Grace Ommer, directora do programa da Oxfam para o Afeganistão.
“Reparar estes estragos não pode ser feito da noite para o dia. Vai levar muito tempo para sarar as feridas económicas, sociais e psicológicas... O Afeganistão precisa de mais do que soluções militares”, afirmou Ommer num comunicado.
Há 110 mil soldados estrangeiros no Afeganistão, mas a violência não tem parado de aumentar. Nas razões apontadas para o conflito, a seguir aos taliban, aparece a interferência estrangeira no país, com 25 por cento das respostas.


