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Perda de vidas civis põe em causa Aliança

Afeganistão: Ataque da NATO terá causado a morte de pelo menos 90 pessoas

04.09.2009 - 08:53 Por Dulce Furtado

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Familiares de vítimas do ataque frente ao principal hospital da província de Kunduz Familiares de vítimas do ataque frente ao principal hospital da província de Kunduz (Reuters )
Um ataque aéreo das forças da NATO no Afeganistão contra rebeldes taliban que tinham roubado dois tanques de combustível resultou em pesadíssimos danos colaterais, com a perda da vida de pelo menos 90 pessoas que estariam nas imediações do local tomado por alvo, na província de Kunduz, no norte do país.

Confirmado já pelas forças da Aliança, o ataque ocorreu às primeiras horas da manhã depois de as autoridades afegãs terem reportado, ainda na noite de quinta-feira, às forças internacionais o roubo dos dois tanques e a sua posição junto à margem de um rio. “Observámos que apenas rebeldes se encontravam na área e foi dada a ordem de proceder ao ataque aéreo, que destruiu os dois tanques assim como um elevado número de rebeldes”, descreveu a porta-voz do gabinete de informação da Força Internacional de Segurança e Assistência no Afeganistão (Isaf), Christine Sidenstricker, citada pelas agências noticiosas.

“O ataque foi dirigido aos rebeldes. São rebeldes que pensamos terem sido mortos”, sublinhou aquela responsável, notando porém que a NATO lançou uma investigação ao incidente face aos relatos de que civis podem ter sido mortos na operação. Questionada sobre como podiam os pilotos identificar se uma multidão de pessoas em volta dos tanques eram guerrilheiros taliban ou civis, a porta-voz da Isaf explicou que a decisão foi tomada “com base na informação disponível no terreno”.

O governador de Kunduz, Mohammad Ommar, avançou que pelo menos 90 pessoas morreram no bombardeamento, queimadas vivas na enorme explosão dos tanques de combustível, indicando que entre os mortos estarão alguns comandantes de topo dos taliban. Mas diversas testemunhas sublinham que muitos aldeões terão também morrido no ataque, pessoas que se encontravam junto aos tanques para recolher combustível.

O porta-voz dos taliban narrou que um dos tanques roubados ficara preso na lamacenta margem do rio, muito perto de uma aldeia, e que os seus habitantes rodearam o veículo para tentar tirar o combustível quando se deu o bombardeamento.

Ordens para evitar morte de civis

Este incidente poderá facilmente reactivar o sentimento negativo das populações contra as tropas estrangeiras no território, dois meses apenas depois de o novo comandante das forças norte-americanas no país ter anunciado uma série de novas medidas para evitar a perda de vidas civis no combate à rebelião taliban. Stanley McChrystal ordenou expressamente que não podem ser feitos ataques aéreos sobre nenhuma posição a não ser que tenha sido confirmado com segurança que não são postos em perigo nem civis nem forças coligadas.

A perda de vidas civis no Afeganistão é um calcanhar de Aquiles para os esforços de guerra da coligação internacional, com os comandantes militares a reiterarem que não estão a fazer o seu trabalho se ganharem o território mas não o povo. “Culpamos tanto os taliban como o Governo”, acusava esta manhã um líder tribal da província de Kunduz, Mohammad Sarwar, citado pela agência Reuters.

“O meu irmão foi queimado no bombardeamento. Não sei se está vivo ou morto”, observou um dos aldeões, Ghulam Yahya, um das dezenas de pessoas que acorreram para o principal hospital da província. No hospital foram recebidas pelo menos 13 pessoas com ferimentos sofridos no ataque aéreo aos tanques de combustível, algumas delas em estado muito grave. Mas nenhuns corpos: “É muito difícil recolher os cadáveres no local porque estão muito queimados”, observou um dos médicos do hospital de Kunduz.

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A realidade Afegã

Depois de ler vários comentários de vários internautas, fiquei um pouco pasmado com o ...

Roberto Dos Santos

06.09.2009 15:52

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