Afeganistão: 47 civis mortos em bombardeamento da coligação, conclui inquérito

11.07.2008 - 08:56 Por AFP
Uma comissão de inquérito formada pelo chefe de Estado afegão Hamid Karzai concluiu que 47 civis que participavam num casamento foram mortos no dia 6 de Julho em consequência de um bombardeamento da coligação sob comando americano, no leste do país.
"Concluímos que 47 civis, a maioria mulheres e crianças, foram mortas durante um ataque aéreo e que outras nove ficaram feridas", declarou à AFP o responsável da comissão e vice-presidente do Senado, Burhanullah Shinwari.
"As vítimas eram todas civis e elas não tinham nenhuma ligação aos taliban nem à al-Qaeda", sublinhou.
"Se acontecimentos semelhantes continuarem a ocorrer, a população vai distanciar-se do governo", advertiu, apelando às forças internacionais.
As autoridades locais da província de Nangarhar, no leste do país, afirmaram que 27 civis, incluindo a noiva, morreram no dia 6 de Julho no ataque aéreo levado a cabo contra o distrito de Deh Bala, na fronteira com o Paquistão.
A coligação internacional sob comando americano já rejeitou as acusações, afirmando que "vários rebeldes" foram mortos no ataque.
"Não havia mais que três homens entre as vítimas. Todos os outros eram mulheres e crianças", assegurou por seu lado Mohammad Asif Shinwari, membro da comissão, confirmando que o grupo que acompanhava a noiva foi bombardeado quando atravessava uma zona montanhosa.
"O último corpo foi encontrado ontem, entre os destroços, o que faz elevar para 47 o número de vítimas, mas algumas pessoas continuam desaparecidas", acrescentou.
As forças estrangeiras no Afeganistão, que contam com cerca de 70 mil soldados da NATO e da Operação Liberdade Duradoura, são regularmente acusados de provocar a morte de civis durante os combates contra os rebeldes.
Durante os primeiros seis meses de 2008, cerca de 700 civis afegãos morreram em consequência dos ataques, 255 dos quais levados a cabo pelas forças internacionais, indicou o secretário geral adjunto para os assuntos humanitários e coordenador dos serviços de urgência da ONU, John Holmes.

