Aeroporto Charles de Gaulle em risco de ficar sem combustível já na próxima semana

16.10.2010 - 09:18 Por Jorge Heitor
A contestação geral ao plano do Presidente Nicolas Sarkozy para adiar a idade de reforma deverá levar hoje à rua mais alguns milhões de manifestantes franceses.
Os sindicatos franceses esperam voltar a mobilizar hoje milhões de pessoas, numa nova jornada de protestos contra os planos do Presidente Nicolas Sarkozy para atrasar a idade da reforma, que em 2018 só deverá ser totalmente possível a partir dos 67 anos. E o Aeroporto Charles De Gaulle poderá ficar sem combustível já na próxima semana.
O movimento grevista e contestatário já paralisou as refinarias, fez parar o oleoduto que serve os aeroportos de Paris, encerrou centenas de estações de serviço e afectou tanto os comboios como o funcionamento dos liceus.
"Se há coisa que os franceses sabem é como protestar", escrevia ontem a revista norte-americana Time, quando estavam confirmadas não só as manifestações de hoje mas, também, uma jornada de greves para dia 19, terça-feira.
A greve geral da próxima semana é feita na véspera da votação no Senado do plano presidencial para que as reformas antecipadas passem dos 60 para os 62 anos e as reformas plenas dos 65 para os 67.
Dois terminais petrolíferos do porto de Marselha encontram-se parados há 20 dias e ontem já havia 60 navios imobilizados nas imediações, incluindo 45 petroleiros e 10 transportadores de gás, segundo a Businessweek.
O Governo vai agora recorrer às reservas das empresas petrolíferas para que numerosas estações de serviço não permaneçam encerradas e os aeroportos não deixem de ter combustível durante as semanas mais próximas. Isto depois de a Trapil, a empresa que gere o oleoduto para as aerogares, ter dito que a maior delas, a Charles de Gaulle, em Roissy, poderá ficar sem combustível já na próxima semana. Quanto à segunda, a de Orly, ainda estava ontem com reservas para 17 dias.
Têm-se acumulado nos últimos dias os indícios do agravamento da situação social em todo o território francês, com mais de 300 escolas secundárias afectadas pela adesão dos estudantes liceais ao descontentamento geral com o Presidente que tomou posse em 16 de Maio de 2007, para um mandato de cinco anos.
As manifestações de hoje, as sextas desde o início do mês passado, são contra o projecto governamental de aumentar até 2018 a idade mínima de passagem à reforma de 60 para 62 anos e a da reforma completa de 65 para 67. Mas Sarkozy explica que isto é necessário devido a um défice de 32.000 milhões de euros no fundo nacional de pensões.
Na terça-feira da semana passada, as manifestações, tanto em Paris como em Marselha, Toulouse e outras cidades, mobilizaram 3,5 milhões de franceses, segundo os sindicatos; ou apenas 1,2 milhões, de acordo com os números fornecidos pela polícia.


