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Capturas e transferências de suspeitos para outros países

Administração Obama autorizou a CIA a continuar com as “rendições” de prisioneiros

02.02.2009 - 16:44 Por Sofia Lorena

As ordens para encerrar Guantánamo, acabar com as prisões secretas da CIA e proibir tortura e técnicas duras de interrogatório fizeram as manchetes no arranque da presidência de Barack Obama. Mas entre as ordens executivas assinadas pelo novo Presidente dos Estados Unidos há duas semanas, passou mais desapercebida a decisão de manter intacto um programa controverso da Administração Bush: os raptos secretos e transferências de prisioneiros para países que cooperam com os Estados Unidos, conhecidos como “rendições”.
Obama decidiu manter um dos programas mais controversos da Administração Bush Obama decidiu manter um dos programas mais controversos da Administração Bush (Carlos Barria/Reuters)

A CIA manteve a autoridade para levar a cabo estas “rendições”, escreveu o diário Los Angeles Times, numa análise mais pormenorizada às ordens executivas de Obama.

Este é um programa que causou embaraço à agência nos últimos anos, à medida que foram sendo conhecidas histórias sobre homens capturados por engano e enviados para países onde foram torturados, como a Síria.

Um dos casos mais polémicos foi o do alemão Khaled Masri, preso na Macedónia em 2003 e transferido pela CIA para o Afeganistão. Masri descreveu mais tarde ter sido raptado por “sete ou oito homens vestidos de negro e cara tapada” e sem seguida despido e levado de avião agrilhoado, uma descrição que coincide com a de outros capturados, incluindo vários que depois acabaram por ficar anos na prisão de Guantánamo.

Masri tinha sido confundido com um homem próximo de um dos suicidas do 11 de Setembro e acabou por ser libertado cinco meses depois na Albânia.

O Parlamento Europeu condenou as “rendições”, chamando-lhes um “instrumento ilegal usado pelos EUA”. Mas a Administração Obama, que prometeu combater o terrorismo “com princípios”, parece ter determinado que precisa deste programa para o fazer.



"Atrás dos tipos maus"

“Obviamente é preciso preservar algumas ferramentas – ainda é preciso ir atrás dos tipos maus”, disse ao LATimes um responsável da Administração. “Os conselheiros legais olharam para as rendições. É controverso nalguns sítios e provocou uma tempestade na Europa. Mas se for feito com certos parâmetros, é uma prática aceitável.” A ordem executiva de Obama sobre interrogatórios legais criou um grupo de trabalho para reexaminar estas capturas e garantir que “não resultam na transferência de indivíduos para outras nações em que enfrentem tortura”.

Responsáveis dos serviços secretos ouvidos pelo diário norte-americano sugerem que este programa poderá vir a desempenhar um papel maior do que no passado “porque é o único mecanismo que sobra – para além dos ataques com mísseis disparados por drones [aparelhos não tripulados] Predator – para tirar suspeitos terroristas das ruas”.

Mas alguns veteranos defendem que apesar de ser um instrumento importante, é também muito limitado no que respeita ao valor da informação que permite reunir. E é usado principalmente para suspeitos que a CIA não considera valiosos o suficiente para manter sob a sua própria custódia.

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Comentário + votado

obama

A administração Obama vai fazer o que se esperava: manter o império, foi para isso que delde foi ...

Viriato

02.02.2009 21:18

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