Todas as sondagens apontam o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, como o grande perdedor das eleições regionais do próximo fim-de-semana. A esquerda, antes de mais o Partido Socialista, sairá assim vencedora, mas o desinteresse e a abstenção também vão pontuar.
Apesar da mobilização dos estados-maiores dos partidos, as sondagens indicam que pelo menos um eleitor em cada dois não vai votar a 14 de Março.
As urnas vão confirmar o desencanto notado pelo mediador da República, Jean-Paul Delevoye, no seu relatório divulgado o mês passado: “A nossa sociedade está fracturada mas nunca essa realidade foi tão grave”, escreveu. Os analistas apontam o desemprego e a crise, mas também a confusão promovida pelo Governo com o debate sobre a identidade nacional, lançado pouco tempo antes das eleições.
A campanha foi pobre e suja, com a direita a e a esquerda a recorrerem a golpes baixos e escândalos. A taxa de popularidade de Sarkozy nunca esteve tão baixa e o seu Governo tem estado envolto em sucessivas polémicas, como as viagens de turismo sexual do ministro da Cultura, Frédéric Mitterand, ou a intenção do filho do Presidente, Jean Sarkozy, de presidir à La Défense, o bairro de negócios mais poderoso da capital.
A abstenção, que costuma ser mais alta entre as classes populares e os jovens, vai alargar-se a quem costuma votar à direita. Agora vai chegar a pessoas mais velhas e com categorias profissionais mais confortáveis, que tanto recusam votar na esquerda como apoiar Sarkozy, disse à Reuters o analista Jean-Daniel Lévy. "A abstenção é uma mensagem política", afirma.
Todas as consultas dão ao Partido Socialista uma vantagem de dois ou três pontos face à UMP, de Sarkozy. Juntando às intenções de voto no PS, os votos que serão obtidos pelos ecologistas e pela Frente de Esquerda, a direita sairá definitivamente derrotada. A Frente Nacional, de extrema-direita, não deverá ultrapassar os oito por cento.
Para o PS, a previsível vitória deverá dar um impulso à liderança de Martine Aubry, eleita primeira secretária regional em Novembro de 2008 e desde então muito contestada. Mas também Ségolène Royal pode sair vitoriosa, já que tenta a reeleição na região de Poitou-Charentes. As duas mulheres podem voltar a enfrentar-se na busca pela candidatura às presidenciais de 2012.



