Abkházia anuncia que entrará em “estado de guerra” a partir desta noite

10.08.2008 - 15:09 Por Agências
A Abkházia anunciou que entrará em “estado de guerra” numa parte do seu território durante dois dias, a partir das 21h00. A região independentista da Geórgia continuava hoje com bombardeamentos aéreos e ataques de artilharia na zona das gargantas de Kodori, sob controlo das tropas georgianas.
De acordo com um decreto Presidente abkhaze, Serguei Bagapch, citado pela agência Interfax, o estado de guerra será decretado durante 48 horas nos distritos de Gali, Tkvartcheli, Otchamtchira e Goulripch, bem como numa parte da capital da Abkházia, Soukhoumi.
Além de Kodori, o Presidente Bagapch avança que a Abkházia, que ordenou uma mobilização parcial dos seus reservistas, tem ainda tropas até às margens do rio Ingouri, na fronteira com a Geórgia, no distrito de Gali, uma região abkhaze com uma população de maioria georgiana.
A Rússia apelou, entretanto, às Nações Unidas que retire os seus observadores da Abkházia e de Zougdidi, na região oeste da Geórgia, avançou à AFP Chota Outiachvili, porta-voz do Ministério do Interior georgiano.
Os separatistas pró-russos da Abkházia lançaram ontem uma operação militar contra soldados georgianos em Kodori, criando uma nova frente de combate contra as forças de Tbilissi, que lançou na madrugada de sexta-feira uma ofensiva na Ossétia do Sul, outro território independentista pró-russo.
O secretário do Conselho de Segurança georgiano, Alexandre Lomaia, adiantou, por sua vez, também à AFP, que navios militares russos já chegaram ao porto abkhaze de Otchamtchyra, situado a 30 quilómetros da fronteira entre a Abkházia e a Geórgia.
Já ontem, as autoridades georgianas tinham indicado que navios de guerra russos se dirigiam para a costa da Geórgia, depois de pelo menos uma das embarcações militares russas ter abandonado o porto ucraniano de Sébastopol, que serve de base à Armada russa no Mar Negro.
Ainda no sábado, um responsável do departamento de Estado norte-americano avançou que Moscovo pretendia enviar navios da sua Armada para Otchamtchyra, informações que a Rússia se recusou a comentar.

