Três dias depois de se ter retirado da segunda volta das eleições presidenciais afegãs, Abdullah Abdullah considerou hoje que a reeleição de Hamid Karzai é ilegal e ilegítima.
O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros justificou a desistência com os receios de que as fraudes massivas da primeira volta se repetissem. Entretanto a comissão eleitoral decidiu que não haverá segunda volta e declarou Karzai reeleito.
“Esta decisão não tem fundamento legal e um governo que assuma o poder na base de uma decisão desta comissão não pode ter legitimidade”, afirmou Abdullah. As declarações do tajique antecipam um prolongamento da crise política que há dois meses paralisa o país.
A comissão eleitoral, que organizou a eleição e a quem cabia proclamar os resultados, está no centro do escândalo que provocou a anulação de um quarto dos boletins de voto depositados nas urnas a 20 de Agosto. Abdullah sempre acusou a comissão de favorecer Karzai e exigia a substituição do seu presidente, Azizullah Ludin, antigo conselheiro do Presidente.
Hoje, o candidato que deveria ter defrontado Karzai na segunda volta marcada para 7 de Novembro repetiu as acusações contra a comissão, acusando-a de “incompetência” e de “tomar partido” a favor de Karzai.
“É exactamente a mesma comissão que anunciou a nomeação do Presidente”, notou Abdullah. “Um governo que chega ao poder sem o apoio da população não pode combater fenómenos como as ameaças terroristas, o desemprego, a pobreza e centenas de outros problemas.”
Ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a Karzai para trabalhar com os outros candidatos às presidenciais. E o reeleito Presidente disse querer um “governo de unidade nacional” centrado no combate à corrupção. Mas Abdullah não quer participar em nenhuma coligação nem acredita nestes planos: “Um tal governo, que não tem legitimidade, não pode combater a corrupção”, disse.
Um porta-voz de Karzai afirmou hoje que alguns ministros que já estavam em funções serão incluídos no próximo governo, que deverá estar pronto daqui a três semanas. O executivo incluirá também tecnocratas, figuras novas, disse Siyamak Herawi.



