A bomba com que o nigeriano Abdul Mutallab tentou deitar abaixo um avião da Delta-Northwest Airlines, que seguia de Amesterdão para Detroit no dia de Natal, era um par de cuecas onde tinha sido colocado um pacote com um pó, o composto orgânico pentaeritritol, e uma seringa com um ácido capaz de activar o explosivo. As imagens do engenho foram hoje divulgadas pela estação de televisão ABC News.
As fotografias mostram a peça de roupa interior ligeiramente queimada, depois de Abdul Mutallab, um nigeriano de 23 anos, ter tentado detonar o explosivo. O ataque foi travado a tempo e já foi reivindicado pela Al Qaeda na Península Arábica, mas continua a questionar-se como foi possível contornar os serviços secretos britânicos e a segurança do aeroporto e entrar num avião com explosivos. Aquele engenho não é detectado pelas tradicionais máquinas de raios X.
As imagens do engenho mostram o pacote do explosivo ainda intacto. Numa fotografia vê-se esse pacote cosido à peça de roupa, noutra é mostrado em separado e sempre com uma régua em baixo, para que se percebam as dimensões. No pacote, com cerca de 15 centímetros, caberiam 80 gramas de explosivos. Um teste feito pelo Governo norte-americano, referido pela ABC, com 50 gramas do mesmo pó, fez um buraco na parte lateral de um avião. Essa era a quantidade de explosivo transportada por Richard Reid, conhecido como “o bombista dos sapatos” que tentou levar a cabo um atentado num avião no Natal de 2001.
O explosivo transportado por Abdul Mutallab acabou por não funcionar e incendiou em vez de causar uma explosão porque falhou o contacto com o pó e um passageiro que estava no banco de trás, o holandês Jasper Schuringa, actuou de imediato para apagar as chamas.


