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Decisão abre caminho à entrada em vigor de acordo assinado em Abril

Abbas vai liderar governo de unidade palestiniano

06.02.2012 - 12:48 Por PÚBLICO

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Abbas e Meshaal com o emir do Qatar, Hamad bin Khalifa al-Thani Abbas e Meshaal com o emir do Qatar, Hamad bin Khalifa al-Thani (Thaer Ghanaim/Reuters)
O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, vai chefiar o governo de unidade que o Hamas e a Fatah se comprometeram a criar em Abril do ano passado e que tem por principal missão a preparação de eleições legislativas e presidenciais.

A decisão foi anunciada no final de um encontro no Qatar entre Abbas, líder da principal facção nacionalista, e Khaled Meshaal, chefe do bureau político do movimento islamista. “Estamos comprometidos a sarar as feridas, a pôr fim ao capítulo das divisões e a conseguir a reconciliação”, afirmou Meshaal numa declaração transmitida pela Al-Jazira.

A formação de um governo de unidade era o principal ponto do acordo, mediado pelo Egipto, para pôr fim a quatro anos de conflito que levaram à criação de dois governos separados – a Fatah no poder na Cisjordânia; o Hamas conduzindo isolado os destinos de Gaza.

O acordo previa que o executivo fosse composto por tecnocratas e liderado por uma figura independente, mas a escolha inicial de Abbas – o actual primeiro-ministro da Autoridade Palestiniana, Salam Fayyad – foi vetado pelos islamistas, o que adiou “sine die” a aplicação do acordo. Após várias tentativas, os dois movimentos acabaram por decidir que Abbas vai acumular os cargos de presidente da Autoridade Palestiniana e primeiro-ministro, estando previsto que a lista completa de ministros seja anunciada no próximo dia 18.

Vários observadores afirmam que este atraso torna quase impossível a organização de eleições legislativas em Maio, a data inicialmente prevista no acordo. Ainda assim, a sua entrada em vigor permitirá pôr fim à separação efectiva entre os dois territórios, criando uma frente unida essencial às manobras diplomáticas lideradas por Abbas com vista ao reconhecido internacional da Palestina – iniciativa rejeitada por Israel, que insiste que um Estado palestiniano terá de nascer das negociações bilaterais, suspensas há ano e meio.

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