O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, propôs hoje ao Hamas a formação de um governo de “concórdia nacional”, a quem caberia a organização, em simultâneo, de eleições legislativas e presidenciais na Cisjordânia e Faixa de Gaza.
Após o fim da ofensiva israelita, que provocou cerca de 1300 mortos, “precisamos agora um governo de unidade nacional que toma em mãos a tarefa de organizar eleições legislativas e presidenciais”, declarou Abbas, no primeiro dia de uma cimeira que junta no Kuwait vários dirigentes árabes, destinada a angariar fundos para a reconstrução da Faixa de Gaza e ultrapassar as divergências que ficaram patentes nas últimas semanas.
Abbas, que é também líder da Fatah, o grande rival político do Hamas nos territórios palestinianos, controla apenas a Cisjordânia, desde que, em Junho de 2007, o movimento islamista assumiu pela força o controlo dos serviços de segurança na Faixa de Gaza. Em retaliação, o líder palestiniano demitiu o governo nomeado pelo Hamas, nomeando um executivo de iniciativa presidencial, não reconhecido pelos islamistas.
Apesar das divergências, Abbas diz que “é agora necessário que todos os palestinianos se reúnam para chegar a um acordo”, com o objectivo de reconstruir as infra-estruturas destruídas pelos bombardeamentos israelitas e repor a legalidade democrática nos territórios.
Apesar do apelo ao diálogo, eventuais negociações entre as duas principais forças políticas não se avizinham fáceis e a ofensiva israelita, ao invés de unir acabou por acentuar as divisões, tanto a nível interno, como regional. Exemplo disso foi a cimeira de Doha, sexta-feira passada, na qual o Hamas surgiu, pela primeira vez, como representante dos palestinianos, e que viria a ser boicotada por Abbas e pelos dois pesos-pesados da região, o Egipto e a Arábia Saudita.
Por outro lado, os dois partidos estão divididos quanto à duração do mandato de Abbas à frente da Autoridade Palestiniana. O Hamas sustenta que, ao abrigo da Constituição, o mandato presidencial tem a duração de quatro anos, tendo expirado no passado dia 9 de Janeiro de 2009. A Fatah argumenta, por seu lado, que e lei eleitoral estipula que as eleições presidenciais e legislativas devem realizar-se em simultâneo o que, na prática, prolonga por mais um ano o mandato de Abbas, uma vez que o actual parlamento só foi eleito em Janeiro de 2006.
O movimento islamista anunciou, no final do ano passado, que deixaria de reconhecer Abbas como presidente a partir de 9 de Janeiro, mas até ao momento não fez qualquer anúncio formal nesse sentido.




