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Acordo com Hamas poderá estar para breve

Abbas em Gaza para negociar governo de unidade nacional

06.11.2006 - 17:39 Por PUBLICO.PT, , com agências

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Abbas terá conseguido convencer o Hamas a ceder nos principais pontos em negociação Abbas terá conseguido convencer o Hamas a ceder nos principais pontos em negociação (Atef Safadi/EPA)
O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, chegou hoje a Gaza para um encontro com o primeiro-ministro Ismail Haniyah, o primeiro em dois meses, indicando que poderá estar para breve o acordo sobre a formação de governo de unidade nacional.

“Vou encontrar-me esta noite com o presidente em Gaza para discutir a questão do Governo e a agressão [israelita] contra Beit Hanoun”, afirmou o primeiro-ministro, numa referência à incursão israelita dos últimos dias na Faixa de Gaza, que provocou já mais de 50 mortos.

Esta manhã, um ministro palestiniano garantia que os dois dirigentes tinham chegado a acordo de princípio para a formação de um executivo apoiado pelas principais formações palestinianas, após meses de impasse.

“Chegámos a um acordo sobre tudo, a formação do Governo, o nome do futuro primeiro-ministro, os critérios de nomeação dos novos ministros e sobre o seu programa”, afirmou Wasfi Qabha, dirigente do Hamas e ministro para os prisioneiros.

Segundo fontes citadas pelas agências internacionais, Haniyah e o Governo do Hamas, isolados pela comunidade internacional, dariam lugar a um executivo formado por personalidades independentes, de mérito reconhecido, tal como propunha o líder palestiniano.

A AP adianta que, ao abrigo do acordo de princípio, o movimento integrista, vencedor das últimas legislativas, teria direito a indicar oito ministros, enquanto a Fatah de Abbas poderia escolher quatro, sendo os titulares das restantes pastas escolhidos pelas formações mais pequenas.

O Hamas terá direito a indicar o novo primeiro-ministro, mas Abbas tenta ainda convencer o movimento a optar por uma personalidade independente, a fim de facilitar o reconhecimento internacional do governo de unidade nacional.

O programa do novo Executivo deverá ser propositadamente vago, em especial quanto ao reconhecimento do Estado de Israel, a principal exigência da comunidade internacional para reatar as relações com o Executivo palestiniano mas que o Hamas sempre recusou aceitar.

Resta saber se o pragmático Haniyah conseguirá convencer a liderança do Hamas no exílio, intransigente no que diz respeito aos contactos com Israel, a aceitar o acordo em negociação. Em Setembro, o presidente e o primeiro-ministro tinham chegado a acordo sobre a formação de uma plataforma de unidade, mas as chefias islamistas recusaram dar o seu aval ao programa de Governo, que previa um reconhecimento implícito do Estado hebraico.

O impasse político dos últimos meses traduziu-se em confrontos quase diários entre os partidários das duas principais formações, que fizeram mais de 30 mortos, e na incapacidade das autoridades palestinianas em encontrar interlocutores internacionais.

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