A eurodeputada Ana Gomes diz que Obama vai ajudar a revelar o que se passa em Guantanamo

28.08.2008 - 10:13 Por Lusa
A eurodeputada socialista Ana Gomes afirmou hoje ter recebido indicações claras de que Barack Obama vai pôr a nu "as prisões secretas e torturas" relacionadas com Guantanamo se for eleito presidente dos Estados Unidos.
Em declarações à agência Lusa e à Antena 1, à margem da Convenção Democrata de Denver, Colorado, Ana Gomes congratulou-se com as consequências que essa decisão terá em Portugal e na Europa.
"Quero essa lavagem de roupa suja e farei tudo para que ela se faça em Portugal e na Europa", declarou, defendendo que "aqueles que foram cúmplices [das prisões e torturas] naturalmente devem ser expostos e devem assumir responsabilidades".
Interrogada sobre o papel dos membros do seu partido que se têm demarcado publicamente da sua posição crítica em relação a Guantanamo, a dirigente da Comissão Nacional do PS respondeu: "Cada qual ficará confrontado com as suas próprias responsabilidades. Eu assumo as minhas".
Ana Gomes está em Denver a convite do Instituto Democrata Nacional, entidade do Partido Democrata, e participou hoje num debate sobre política internacional em que participaram, entre outros, a ex-secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright e o ex-embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas Richard Holbrook.
"Todos eles sublinharam a importância de os Estados Unidos restaurarem a sua credibilidade no mundo e a sua reputação no mundo, a sua liderança moral. Neste contexto, foi sublinhado como seria uma prioridade para uma administração Obama pôr a nu tudo o que se passou em relação a Guantanamo, às prisões secretas e às torturas", relatou a eurodeputada socialista.
"Há muito tempo que ando a avisar que seria exactamente da parte americana que viria a iniciativa. Já se está a ver, isso é erigido como uma prioridade pela administração Obama", frisou.
McCain, candidato republicano será “mais do mesmo”
Na perspectiva da ex-secretária nacional do PS para as relações internacionais, "da mesma maneira que o Partido Democrata [dos Estados Unidos] considera que essa é uma questão essencial para restaurar a sua autoridade e a sua credibilidade, também na Europa é essencial para restaurar a nossa credibilidade, a nossa autoridade e a nossa capacidade de efectivamente promovermos a democracia e os direitos humanos".
Ana Gomes argumentou que os europeus precisam de deixar de ser "confrontados com tiradas de países violadores [dos direitos humanos] que nos devolvem as incongruências e as inconsistências".
De acordo com Ana Gomes, embora o candidato republicano à Casa Branca, John McCain, tenha sido, "numa primeira fase, uma das pessoas que mais vociferou contra a administração Bush de apostar na tortura como forma de combater o terrorismo", entretanto, mudou de atitude.
Ana Gomes acredita que uma eventual vitória do candidato republicano será "mais do mesmo" do que tem sido a administração de George W. Bush, como dizem os democratas.
"O McCain não é só McCain e não é sobretudo McCain, é tudo o que está por trás, é os interesses das empresas e dos grandes negócios, os grandes interesses financeiros que estão por trás do Partido Republicano e que explicam alguns dos maiores desastres causados pela administração Bush", sustentou.
"Nesse sentido, eu penso que é correcto da parte do Partido Democrata exactamente frisar que os Estados Unidos e o mundo não aguentam uma nova administração republicana, sendo que John McCain uma pessoa muito mais estimável e inteligente do que George W. Bush, sem dúvida", concluiu a ex-embaixadora de Portugal na Indonésia.


