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Alemanha

A eleição local que pode ditar o futuro do governo de Angela Merkel

09.05.2010 - 11:54 Por Maria João Guimarães

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Rüttgers poderá preferir coligar-se com o SPD Rüttgers poderá preferir coligar-se com o SPD (Volker Hartmann/AFP)
O eleitorado da região industrial do Vale do Ruhr pode estar focado nas questões económicas, a imprensa internacional (e alemã também) na relação entre o descontentamento destes eleitores e a atitude da chanceler, Angela Merkel, em relação à ajuda à Grécia. Mas as eleições na Renânia do Norte-Vestefália poderão, mais do que isso, fazer com que a aliança no Governo de Berlim finalmente funcione, ou ditar um maior afastamento entre a CDU de Merkel e os liberais, na coligação do Governo federal.

As eleições no estado mais populoso da Alemanha são importantes por um motivo imediato: se a coligação da CDU (União Democrata-Cristã) com o FDP (Partido Liberal) não conseguir a maioria para governar o estado (e as últimas sondagens apontam para um empate) o Governo perde também a maioria no Bundesrat, o Conselho Federal. Isto é relevante porque o Bundesrat, um organismo em que estão representados os estados federados, aprova legislação importante, para começar toda aquela que tenha efeitos nos Länder (estados-federados) ou seja toda a legislação que mexa com economia, para além de outras medidas importantes.

As eleições foram vistas como o motivo que impediu Merkel de concordar mais rapidamente com a ajuda financeira à Grécia. No entanto, a revista Der Spiegel faz uma análise mais nacional: as eleições vão marcar o fim da "licença sabática" de Merkel, que desde que se coligou com os liberais de Guido Westerwelle tem liderado pouco (dizem os críticos), perdendo-se em frequentes desacordos com os seus parceiros e na indefinição em grandes questões.

Medo dos eleitores

"À espera da Renânia do Norte-Vestefália" tem sido o verdadeiro Leitmotiv do Governo de centro-direita", escreve DerSpiegel. As eleições vão marcar o ponto decisivo. Mas o paradoxo, aponta a revista alemã, é este: "[Merkel] tem sido tímida nas acções porque estava com medo dos eleitores. Mas esta eleição pode tirar-lhe o poder de ter acção decisiva."

E pode mesmo marcar mais um passo numa evolução que os analistas prevêem já desde as últimas legislativas de Setembro: o desaparecimento das alianças típicas (CDU-Liberais versus SPD-Verdes). No centro desta mudança estão os Verdes, que se tornaram um partido do centro e já governam em coligação com a CDU no estado do Sarre e na cidade-estado de Hamburgo.

O que vai acontecer se a aliança CDU-Liberais não tiver a maioria? O governador do estado, Jürgen Rüttgers (CDU), poderá preferir coligar-se com o SPD (Rüttgers terá ambições de concorrer a presidente em 2014 e o apoio do SPD seria bom). Mas, explica a Spiegel, muitos democratas-cristãos pensam cada vez mais numa coligação com os Verdes.

Nenhum destes cenários é bom para a chanceler: com um parceiro novo na coligação na Renânia do Norte-Vestefália, Merkel ganha, na prática, a nível nacional mais um partido com que terá de negociar para aprovar legislação que tenha de passar no Bundesrat.

Além de que se a escolha forem os Verdes, a coligação em Berlim vai sofrer, prevê a Spiegel. O ministro dos Negócios Estrangeiros Guido Westerwelle desconfia que Merkel anda a preparar as bases para uma aliança com os Verdes a nível nacional - uma coligação nesta altura num estado-federado será mais uma razão para a dissonância entre CDU e liberais.

Assim, a eleição pode, na conclusão da revista Der Spiegel, dar um passo decisivo para uma tendência adivinhada, antecipada pelo que aconteceu em um ou dois governos de estados federados, mas que ainda demora a acontecer a nível nacional: o swing da política: todos os quatro maiores partidos poderão aliar-se uns com os outros, conforme a conveniência.

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Ora cá está um texto em que já se diz alguma coisa de jeito. Quase tudo correcto, ...

Miguel Rodrigues

09.05.2010 21:41

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