21 mil polícias na megaoperação contra o narcotráfico no Rio de Janeiro

26.11.2010 - 08:47 Por PÚBLICO
Um total de 21 mil agentes de diversas unidades e forças de segurança foram destacados para a megaoperação de combate à violência dos narcotraficantes no Rio de Janeiro, um contingente que é quase o dobro daquele que as Nações Unidas enviaram para a missão de estabilização de Timor-Leste.
A informação partiu do coronel Lima de Castro, relações públicas da Polícia MIlitar. "Participei durante três anos na missão das Nações Unidas e foram necessários 12 mil homens para pacificar o país inteiro", comparou.
O mesmo responsável disse que as autoridades estão preparadas para lidar com a onda de violência que desde domingo instaurou um regime quase de guerra civil no Rio de Janeiro, em particular na zona norte da cidade. "Se chamarem para a guerra estamos prontos", declarou.
Desde domingo, foram incendiados 96 veículos e foram apreendidas 44 armas e 8 granadas, além de elevadas quantidades de drogas e material inflamável. Até ao momento foram presas 192 pessoas, informou a Polícia Militar.
O Ministério da Defesa brasileiro anunciou que vão ser enviados 800 soldados, dois helicópteros da Força Aérea e pelo menos uma dezena de veículos blindados do Exército para ajudar nas operações de combate à violência nas favelas do Rio de Janeiro.
O reforço foi pedido pelo governo do Rio de Janeiro, e autorizado ontem à noite pelo Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, horas depois de a polícia da cidade, com o apoio de 80 fuzileiros, ter entrado e ganho controlo da favela Vila Cruzeiro, um dos focos da violência dos últimos dias que segue para hoje com um balanço actualizado de 39 mortos.
Os 800 soldados vão ficar sob comando militar, e não da polícia, e vão trabalhar em articulação com as forças policiais estaduais e federais para a “protecção do perímetro de áreas conflagradas a serem tomadas pelas forças estaduais e pela Polícia Federal”, avança a Globo online citando um comunicado do Ministério da Defesa.
Estas tropas estarão no terreno ainda hoje cedo, quando as autoridades começam já a pôr olhos no Complexo do Alemão, uma das mais perigosas favelas da cidade e para onde muitos dos traficantes fugiram ontem após a tomada de Vila Cruzeiro. As entradas do Alemão estão já desde as primeiras horas da manhã cercadas pela polícia federal.
Com os 800 soldados, o governo federal envia para o Rio também dois helicópteros, dez veículos blindados de transporte e ainda – a ser distribuídos por todos os agentes no terreno, polícias e militares – equipamentos de comunicação e óculos de visão nocturna.
A operação evoca a mobilização militar nas favelas a que se assistiu em 2008, quando 3500 soldados do Exército participaram na ocupação do Complexo do Alemão, em vésperas de eleições, para minorar a influência do tráfico e das milícias durante a campanha e o sufrágio.
Entretanto, a polícia definiu para hoje o objectivo de vasculhar casa a casa a Vila Cruzeiro, na continuada batalha com os traficantes, tendo sido apreendidas desde a madrugada armas e drogas na comunidade da Pena.
O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Paulo Henrique Moraes, confirmou estas apreensões, por um grupo de cem agentes que passaram a noite em buscas na favela, mas disse ao programa “Bom Dia Brasil”, da TV Globo, que não tinha ainda um balanço actualizado das quantidades.
A mesma fonte garantiu que o clima é de aparente tranquilidade em Vila Cruzeiro e redondezas, com uma pequena movimentação de pessoas e veículos.
Durante a noite foram porém registados novos ataques, com três carros e um autocarro a serem incendiados na cidade, tendo sido detidos dois menores, em Ipanema, que alegadamente lançaram fogo a um Fiat Punto a mando do chefe de tráfico de drogas Paulo César Figueiredo – conhecido como “Bolão” – que dominava os morros de Pavão-Pavãozinho e Cantalago, antes de a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) se ter instalado naquelas comunidades.
Para esta tarde está marcada uma reunião do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o secretário da Segurança, José Mariano Beltrame, para definir a estratégia de combate ao tráfico.
Notícia actualizada às 13h17



