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Centenas manifestaram-se em frente às Cortes Valencianas

15M quis recuperar em Valência
a imagem abalada em Barcelona

16.06.2011 - 19:54 Por Ana Fonseca Pereira

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Manifestantes apresentaram cartão vermelho aos políticos e criticaram violência Manifestantes apresentaram cartão vermelho aos políticos e criticaram violência (Heino Kalis/Reuters)
Presidente catalão comparou cerco ao Parlamento à “kale borroka” basca. Autor do manifesto Indignai-vos criticou violência.

Centenas de “indignados” manifestaram-se nesta quinta-feira em frente às Cortes Valencianas, no momento em que tomava posse Francisco Camp, o presidente daquela região autónoma espanhola. Protestaram contra a corrupção – dez dirigentes do Partido Popular local, incluindo Camps estão implicados num escândalo de subornos –, sem a violência que marcou, na véspera, o cerco ao Parlamento catalão e que manchou a imagem do movimento de contestação iniciado há um mês em Madrid.

“Sempre que [o protesto] seja pacífico, entendemos que não estamos a limitar os direitos de ninguém”, disse à agência Efe Julian, um dos jovens concentrados ontem de manhã frente ao Parlamento. Receando a repetição do cerco catalão, a polícia montou barreiras para garantir o acesso dos deputados ao edifício. Sentados no chão, os simpatizantes do 15M (15 de Maio, a data do primeiro protesto na Porta do Sol) mostraram cartões vermelhos “contra a corrupção” e pediram a prisão do presidente regional.

Mas as atenções continuam centradas em Barcelona e nas consequências dos empurrões e insultos aos deputados catalães. Hoje, com a Generalitat (Parlamento) de regresso à normalidade, o secretário do Interior, Felipe Puig, acusou os manifestantes de terem actuado como “uma guerrilha urbana” e o presidente Artur Mas comparou o cerco à “kale borroka” dos independentistas bascos. Sete pessoas foram detidas por participação nos incidentes, que estão a ser investigados pelo Ministério Público.

Plataformas associadas ao 15M condenaram os incidentes – a Assembleia do Sol repudiou “qualquer acto violento e de pressão acima da lei” – e o próprio Governo espanhol disse ser necessário distinguir entre a maioria pacífica e “os que têm comportamentos violentos e intimidatórios”. Mas as imagens de Barcelona minaram a popularidade do 15M, que, perante a crise e as medidas de austeridade, angariava a simpatia de muitos espanhóis. Nas redes sociais e na imprensa sucediam-se as críticas a um movimento até agora sem liderança e com dificuldade em traduzir a indignação nas ruas em propostas políticas.

E em Paris, Stéphane Hessel, autor de Indignai-vos, o manifesto que pede o empenho dos cidadãos em defesa da democracia, repudiou os actos de “agressão, coacção e insulto”, alegando que as acções de “grupos minoritários” “nada têm a ver com a legítima dissidência democrática”. O filósofo reiterou, porém, o seu apoio aos “indignados”, dizendo esperar que mantenham “a atitude pacífica e dialogante com que irromperam há semanas na cena pública” espanhola.

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